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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Aventura louca a bordo de uma caravela portuguesa

É um filme diferente, inovador, irritante e provocador, que quase parece gozar com o seu habitat natural: o cinema. E os piratas.

07 de abril de 2011 às 00:30

Primeira longa-metragem de João Nicolau, estreou-se mundialmente na secção Orizzonti, no Festival de Veneza, mas por lá passou despercebido. Por cá, será seguramente falado até porque é daqueles filmes tão invulgares que facilmente despertará amores...e ódios.

Provocador e em ruptura com a tradicional narrativa do cinema, a trama finge ser um filme a brincar mas com momentos muito sérios e corajosos.

O cineasta das curtas-metragens muito premiadas ‘Rapace’ (2006) e ‘Canção de Amor e Saúde’ (2009), ambas estreadas no Festival de Cinema de Cannes, arrisca agora uma aventura jamais vista nos ecrãs portugueses: um convite ao sonho num ambiente de pirataria.

Mas com muito pouco (ou nada) de ‘Piratas nas Caraíbas’, a não ser mesmo algum non-sense propositado e conveniente à provocação.

Ponto de partida: um quarto de um jovem solitário. ’Manuel’ despede-se dos amigos a e das suas coisas – e do gato – e ruma, escondido, a uma enseada onde uma caravela de jovens piratas o apanha rumo à aventura.

A bordo levam uma substância secreta – o plutex – que vai gerar o caos e originar as mais bizarras tensões.

Pelo caminho há que raptar estrangeiros (em Lagos!) e levá-los até à ‘Rosa’ (figura interpretada por três actores, entre eles Luís Miguel Cintra e José Mário Branco), líder estranho e misterioso de uma seita algures no meio das montanhas algarvias. Objectivo: desconhecido.

O filme inquieta. Irrita. Provoca nervos no espectador. E é aqui que gera amores e ódios.

Mas conseguindo prender a atenção: tudo o que não se percebe cria expectativa e ansiedade e é nesse jogo que João Nicolau consegue segurar o espectador.

E nos diálogos cantados sobre a cobrança de impostos – a cena de abertura é logo de deixar qualquer um de queixo caído –; nas maquetas de montanhas atravessadas pelo grupo de reféns dos piratas que substituem a realidade deixando o espectador imaginar e viver a realidade que se ouve nas vozes que acompanham esta ‘viagem’...

E o que dizer de conversas loucas: “Então e a libanesa, nada?”, pergunta-se. A resposta é despropositada: “Nada! Nada bem no Mediterrâneo que não tem ondas.” Pois...

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