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Correio da Manhã

Cultura
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BEM-VINDO DESCONFORTO

Os temas "Desconforto" e "Pagu" - as suas duas parcerias com Rita Lee - foram, a vários níveis, os momentos essenciais para o êxito do concerto de Zélia Duncan no Coliseu do Porto, que terminou envolto "Nos Lençóis Desse Reggae"
29 de Junho de 2002 às 22:41
No final do encontro, tanto Zélia como o público saíram confortados desta estreia em Portugal. Além do mais, o “show” atestou a excelência dos atributos de palco de uma das mais inventivas personalidades da nova geração da Música Popular Brasileira.

Com a suas virtudes em estúdio novamente reafirmadas no fulgurante "Sortimento", Zélia Duncan teve o ensejo de se revelar ao vivo, cumprindo o desafio de "que eu jamais serei a mesma".

Essa coerência ficou bem expressa durante a execução do hino "Catedral", ansiado pela plateia. Rejeitando a mesmice, a artista brasileira surpreendeu com um arranjo inovador, assente no vigor percussivo de Simone Soul.

Dirigida por Ézio Filho, a banda de cinco versáteis músicos foi cúmplice da 'cantautora' na interpretação de um repertório diversificado em que se salientaram as faixas "Alma" - com direito a "repeteco" -, "Chicken de Frango" - embalado num ritmo de baião -, "Sentidos" e "Não Vá Ainda" - em que Zélia dedilha um bandolim- ou "Na Hora da Sede", onde deu uma de passista, sambando no compasso dos pandeiros de Simone Soul e Cristóvão Galvão.

Em "Lá Vou Eu" exponenciou as vantagens da dobradinha com Rita Lee, se soltando no mundo para a toada rap de "Desconforto" e a "rebeldade" feminista do hard-rock de "Pagu".

Se armada com a guitarra eléctrica, Zélia se mostrou uma rockeira imparável, também manifestou competência na hora de amenizar as explosões de energia, tocando o violão acústico. Neste trecho mais pausado, não abdicou de ser um rebelde bénevola, tributando Portugal com "Fado Tropical", de Chico Buarque, Cássia Eller com "Metamorfose Ambulante", de Raul Seixas. E não voltou para casa sem recordar o bardo Renato Russo, líder da "Legião Urbana".

Se armada com a guitarra eléctrica, Zélia se mostrou uma rockeira imparável, também manifestou competência na hora de amenizar as explosões de energia, tocando o violão acústico. Neste trecho mais pausado, não abdicou de ser um rebelde bénevola, tributando Portugal com "Fado Tropical", de Chico Buarque, Cássia Eller com "Metamorfose Ambulante", de Raul Seixas. E não voltou para casa sem recordar o bardo Renato Russo, líder da "Legião Urbana".
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