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Correio da Manhã

Cultura
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Berlim: O cinema continua a ganhar

Foi a vez das actrizes Catherine Keener e Amanda Peet fazerem esta terça-feira as delícias dos fotógrafos acreditados na Berlinale, ao apresentarem ‘Please Give’, da realizadora Nicole Holofcener, exibido fora de competição.
16 de Fevereiro de 2010 às 20:45
Catherine Keener (aqui com Oliver Platt) é a protagonista de 'Please Give'
Catherine Keener (aqui com Oliver Platt) é a protagonista de 'Please Give' FOTO: DR

‘A Somewhat Gentle Man’, do norueguês Hans Peter Moland, e sobretudo ‘The Hunter’, do iraniano Rafi Pitts’, prometem também manter acesa a competição.

‘Please Give’ (já comprado para Portugal) é uma comédia social muito suave sobre pequenas contradições que afectam muitos novaiorquinos e que chega a Berlim após uma boa recepção no festival de Sundance em Janeiro passado. Poderia ser uma curta-metragem em redor de temas como adultério, crise de adolescência ou o próprio preconceito face ao dinheiro, contudo, com alguma desenvoltura, a realizadora consegue dar vida própria e espaço a cada uma das personagens para habitarem este filme surpreendente.

Como sempre, Catherine Keener, a rainha do cinema independente americano, está à vontade, aqui no papel de bem sucedida dona de loja de revenda de mobiliário vintage que cuida de diversos pedintes da zona, ao lado de Amanda Peet e Rebecca Hall.

Em tom igualmente ligeiro, ‘A Somewhat Gentle Man’ (que também veremos no nosso país) marca o regresso a Berlim de Hans Peter Moland, depois de aqui ter estado, em competição, em 2004, com ‘The Beautiful Country’. Mas também um retomar da colaboração com o sueco Stellan Skarsgard, aqui num papel completamente inesperado. Apesar da história ser a de um ex-condenado que regressa para se reconciliar com a família, o filme ganha interesse por ser tratado em tom de comédia ligeira.

Bem mais pesado é ‘The Hunter’ (seria bom que fosse adquirido pelos nossos distribuidores), num regresso de Rafi Pitts ao Irão. Num estilo cru, mas também muito intenso, Pitts assume o protagonismo de um outro ex-cadastrado à procura de refazer a sua vida na esperança de mudanças após as recentes eleições iranianas. Contudo, a sua vida muda ao saber que a sua mulher foi acidentalmente morta durante uma das manifestações que daí decorreram (apesar do filme ter sido rodado antes) e que a sua filha desapareceu. Presumo numa situação algo kafkiana, o seu instinto de vingança acabará por prevalecer. Um brilhante exercício de cinema. Um candidato ao Urso de Ouro.

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