Músico de 30 anos acaba de editar 'Dá-me uma gotinha de Água', tema tradicional mas com uma roupagem mais pop.
Iniciou-se na música aos 10 anos como baterista numa banda de rock e aos 17 integrou o grupo Adiafa como percussionista e vocalista (o pai, José Emídio, é um dos fundadores). Em 2015, fundou Os Vocalistas; em 2024 integrou a comissão organizadora do 10.º aniversário da classificação do cante como Património Imaterial da Humanidade e em 2025 estreou-se a solo no Got Talent Portugal. Agora, Bernardo Emídio acaba de lançar, em nome próprio o single 'Dá-me uma gotinha de água', um arranjo diferente, "mais pop" como diz, para uma canção tradicional. "Eu já faço este trabalho há algum tempo, junto com o meu pai e em conjunto com outros músicos. É um trabalho sempre com respeito ao tema apesar de não sabermos quem o fez", assegura. Depois de um EP lançado no ano passado, 'Dá-me uma gotinha de Água' pode ser o ponto de partida para um futuro primeiro álbum. "A minha ideia é lançar tema a tema até juntar ali uns 9 ou 10 e depois sim, talvez juntar tudo e fazer um CD". A pedra de toque será sempre "o cante alentejano", garante.
Nascido em 1994, na Boavista, no Alentejo, Bernardo Emídio cresceu num meio onde a música está por todo o lado. Depois da experiência numa banda de rock e de alguns passagens por eventos e festivais, inclusive de punk rock, ingressou no Conservatório para estudar percussão e chegou mesmo a fazer um curso na escola do Hot Club, em Lisboa. Mas as raízes estavam no Alentejo, sendo que a entrada para os Adiafa ("é como uma segunda família para mim") em 2009 é apenas uma das facetas do seu percurso, sempre no universo do cante alentejano. "Tenho vários projetos de grupos corais, grupos corais mistos, de idosos, de crianças, só de mulheres", revela. Trabalha também já há três anos com um grupo coral do Estabelecimento Prisional de Beja, com elementos entre os 21 e os 70 anos. "É um projeto de inserção mas é acima de tudo um projeto onde o cante alentejano é o principal motivo de bem-estar. É um refúgio que eles ali têm".
Bernardo Emídio reconhece que, mais do que nunca, o país virou-se para o Alentejo, para a sua cultura e a sua música, mas lembra que o que as bandas e os artistas que têm surgidos nos últimos anos trazem é uma roupagem mais pop do cante alentejano, longe daquilo que são as modas tradicionais. "O que eu faço também é mais pop mas é bom que apareçam estes projetos porque levam as pessoas à procura de perceber o que é o cante. Acho que qualquer pessoa que veja o seu povo, a sua cultura e a sua região a ser levada para cima, fica contente. Antes de ser músico sou alentejano e assistir a isto é um orgulho para mim".
Em 2025 apareceu no Got Talent, depois de ser inscrito pelo pai. "Foi uma surpresa. Ele não me disse nada e inscreveu-me". Chegou à final com rasgados elogios do júri. "Fiz um percurso totalmente com o cante alentejano, que era aquilo que eu queria. Levei grupos corais à televisão que era aquilo que eu queria, apesar de sempre com uma roupagem diferente para a coisa ser mais chamativa e apelativa para o resto das pessoas que o ouvem" conta. Atualmente, dá aulas de música num centro infantil e dou aulas de música. Da sua carreira a solo espera acima de tudo conseguir "montar uma máquina" que lhe permita também ajudar outros artistas e trabalhar em concertos.
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