Protesto desta sexta-feira em Lisboa foi marcado pela CGTP para exigir ao Governo "a retirada do pacote laboral".
A adesão à greve convocada em vários setores para assegurar a participação de trabalhadores na manifestação nacional, esta sexta-feira em Lisboa, levou ao cancelamento de espetáculos e "encerramentos pontuais" e "alguns condicionamentos" no funcionamento de equipamentos culturais.
A Lusa contactou várias entidades que gerem equipamentos culturais, para tentar aferir do impacto da greve, convocada para esta sexta-feira por vários sindicatos, entre os quais o Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), que apelou à participação na manifestação nacional "Abaixo o Pacote Laboral", convocada pela CGTP, que teve início pelas 14:30 desta sexta-feira, no Saldanha, seguindo depois para a Assembleia da República, em São Bento.
De acordo com a Museus e Monumentos de Portugal (MMP), contactada pela Lusa, registam-se esta sexta-feira "encerramentos pontuais, alguns condicionamentos", nos 37 museus e monumentos geridos por aquela entidade pública, no entanto "a grande maioria está a funcionar".
A Lusa pediu uma lista detalhada dos equipamentos que encerraram ou onde se verificaram condicionamentos, mas a MMP escusou-se a fornecer mais detalhes.
O Museu Nacional Soares dos Reis, gerido pela MMP, está esta sexta-feira "parcialmente encerrado, estando apenas visitável a galeria dedicada às artes plásticas (1° piso de exposição)", de acordo com informação partilhada por aquele equipamento nas redes sociais.
Além disso, o acesso ao museu esteve "condicionado entre as 13:00 e as 14:00".
Também a "maioria dos equipamentos culturais" sob alçada da EGEAC -- Lisboa Cultura, estão esta sexta-feira "a funcionar normalmente", segundo aquela empresa da Câmara Municipal de Lisboa.
As exceções foram o Teatro São Luiz e o Teatro do Bairro Alto (TBA), que "cancelaram os espetáculos previstos para este dia", e o Museu de Lisboa -- Teatro Romano, que "está encerrado".
Numa publicação partilhada nas redes sociais, o São Luiz dá conta que, "por motivos de Greve dos Trabalhadores Municipais, está cancelada a sessão desta sexta-feira do espetáculo "KABEÇA ORÍ", de Aoaní e Joyce Souza, previsto para as 19:30, na sala Mário Viegas.
Os bilhetes adquiridos para a sessão desta sexta-feira"são válidos para a sessão extra de domingo, 19 de abril, às 19:30, ou podem ser trocados para as outras sessões (sábado, 19:30, domingo, 16:00), no limite dos lugares disponíveis".
Quem optar pelo reembolso do valor dos bilhetes pode fazê-lo até ao dia 30 de abril.
No TBA "por motivo de greve, a sessão desta sexta-feira do espetáculo 'Ermo, a título provisório', de Mário Afonso, foi cancelada'", lê-se numa publicação daquele teatro nas redes sociais, nas quais se pede ao público que, "para mais informações", entre em contacto via email (bilheteira@teatrodobairroalto.pt).
Também no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, foi cancelado um espetáculo "por motivo de greve".
"Tahiti!" estava marcado para as 20:00 desta sexta-feira no Pequeno Auditório do CCB, podendo os portadores de bilhete requerer o reembolso do seu valor.
O protesto desta sexta-feira em Lisboa foi marcado pela CGTP para exigir ao Governo "a retirada do pacote laboral", assim como "uma inversão da política que está a ser seguida", afirmou o secretário-geral daquela central sindical, Tiago Oliveira, em conferência de imprensa, em março, aquando do anúncio da manifestação.
Tiago Oliveira reiterou, na mesma ocasião, que a proposta de revisão da legislação laboral representa um "profundo retrocesso para todos os trabalhadores" e apelou a um "esforço coletivo" para que a manifestação de 17 de abril seja "um grande momento de luta" e de "afirmação".
A primeira versão do anteprojeto de reforma da legislação laboral, intitulado Trabalho XXI, foi apresentada em 24 de julho de 2025 como uma revisão "profunda" da legislação laboral, contemplando mais de 100 alterações ao Código do Trabalho.
As alterações propostas pelo Governo mereceram um 'não' das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores, enquanto as confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que tenham dito haver espaço para melhorias.
Desde que o anteprojeto foi apresentado, a CGTP tem realizado várias ações de luta para exigir a retirada da proposta.
Em 11 de dezembro do ano passado, a CGTP e a UGT juntaram-se numa greve geral, a quinta convocada pelas duas centrais sindicais, algo que não acontecia desde a paralisação conjunta de 27 de junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da 'troika'.
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