Os Shout são a única formação gospel em Portugal. Em entrevista ao ‘CM’, o grupo - responsável por um dos melhores discos do Natal de 2002 - explicou ...
Correio da Manhã - Qual é a mensagem do gospel e concretamente a dos Shout?
Shout - Gospel significa evangelho. Todos nós acreditamos em Deus e tentamos viver o dia-a-dia consoante os seus desígnios, embora não haja uma única religião nos Shout. Basicamente tentamos passar a nossa música e a mensagem de Deus aos outros.
- E é fácil passar essa mensagem?
- Não. É até um caminho bastante complicado.
- Mas em termos estilísticos, a reacção do público à vossa música até é muito boa...
- É verdade. O gospel é um género que consegue cativar todas as pessoas, independentemente das idades, dos gostos musicais ou das crenças. A ideia que as pessoas em Portugal têm do gospel é importada dos Estados Unidos. Claro que aqui o panorama é muito diferente. Somos o único grupo de gospel luso... mas é giro verificar que as pessoas ficam contentes quando vêem que cá também há quem faça este género de música.
- No último mês de Maio editaram finalmente o vosso primeiro trabalho de originais, “Human Faith”. Como resultou este disco?
- Acho que o disco surpreendeu a maioria das pessoas. Principalmente porque em vez de gravarmos um gospel tradicional, optámos por um ‘new gospel’, uma sonoridade mais moderna, com ramificações como o funk, a soul ou mesmo a pop. Neste disco o gospel está mais presente a nível da mensagem do que estilístico.
- Os Shout surgiram ao lado da Sara Tavares. O que aconteceu depois?
- É verdade. O coro nasceu em Maio de 1995 para acompanhar Sara Tavares no seu trabalho de vocalista, de onde surgiu o álbum "Escolhas", o primeiro de gospel em Portugal. Mas a Sara precisava de seguir uma carreira a solo, tal como os Shout também precisavam de se afirmar como grupo. Entretanto, colaborámos com Santos e Pecadores, Adelaide Ferreira, Rui Veloso e Milénio, até editarmos o nosso primeiro disco.
- E como surgiu a ideia de editarem este disco de Natal?
- Porque a mensagem dos Shout é coerente com o espírito do Natal.
- Como surgiram as colaborações do Olavo Bilac (Santos e Pecadores) e do Nuno Guerreiro (Ala dos Namorados)?
- Achámos que era a altura de outros artistas colaborarem num disco dos Shout, porque até agora fomos sempre nós que colaborámos em discos de outros. Surgiu o Olavo Bilac, que aceitou prontamente o convite e que veio acrescentar um espírito de “bon-vivant” (no bom sentido) ao disco. O Nuno Guerreiro, que é um cantor formidável, também aceitou logo.
- Que critério presidiu à selecção do repertório deste disco?
- A maioria são clássicos natalícios, por causa da época. Mas de facto, temos dois temas originais, “Luana” e “Remember To”, que também estão no outro disco, mas que aqui surgem com novos arranjos.
- Desta vez cantam também em português, sem no entanto deixarem para trás o inglês...
- Não temos qualquer preconceito nem em relação ao português nem ao inglês. Quando escolhemos cantar uma determinada canção numa língua ou noutra, baseamo-nos apenas em razões estéticas. Sendo a música uma linguagem universal, é óbvio que o inglês permite-nos chegar a outros públicos, mas também gostamos de fazer o nosso gospel em português.
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