O elevador do Carmo, ou de Santa Justa como é vulgarmente conhecido, faz 100 anos depois de amanhã, quarta-feira, a subir e a descer uma das sete colinas da cidade de Lisboa.
Em oito horas, sobe e desce - cerca de 230 vezes - os 45 metros que ligam a Baixa lisboeta à Rua de Santa Justa.
Considerado um dos “ex-líbris” da capital, como são os restantes três ascensores da Carris em funcionamento, o monumento em ferro atrai os turistas, que não perdem a oportunidade de nele viajar, fotografar e filmar.
Raramente se refere ao nome do autor do projecto do elevador do Carmo, com frequência atribuído a Gustav Eiffel. Foi o português Raoul Mesnier de Ponsard, que nasceu no Porto, filho de pais franceses, engenheiro e inventor, quem construiu o elevador e todos os ascensores de Lisboa, então em número de nove.
A estrutura do elevador é composta por duas torres metálicas geminadas, com cerca de 45 metros de altura, com um passadiço metálico que o liga ao Largo do Carmo, e um pilar em betão armado sobre o qual o passadiço assenta.
Foi inaugurado a 10 de Julho de 1902, com grande regozijo da população que, entusiasmada ou apenas curiosa, ocorreu a saudar o novo transporte.
Nessa altura pagava-se para descer dez reis e para subir um vintém. Mas não era apenas esta a única fonte de receita. Também o terraço existente no topo das torres foi aproveitado, tendo-se aí instalado um telescópio pelo qual as pessoas podiam espreitar, pagando.
Aquando da inauguração do elevador foi utilizado o vapor como força de tracção. Em 1907, procedeu-se à sua electrificação, tendo as obras levadas a efeito obrigado a uma paralisação temporária.
Milhões de passageiros
Passados os 100 anos sobre a inauguração, o elevador de Santa Justa continua desempenhando cabalmente a função para que foi criado na prestação dos serviços à população de Lisboa. Em 1991, por exemplo, transportou mais de 1,6 milhões de passageiros.
A configuração acidentada de Lisboa, com ladeiras abruptas e declives acentuados, foi desde sempre um grave obstáculo à circulação de pessoas e bens entre as partes mais altas das sete colinas e as zonas baixas.
Toda a estrutura da torre do elevador e do passadiço de ligação ao Largo do Carmo foi feita segundo cálculos que ainda hoje causam a admiração dos mais reputados engenheiros de estruturas metálicas, capazes de resistir a ventos ciclónicos e abalos sísmicos, como já se tem registado.
O elevador pertence actualmente à Companhia Carris de Ferro de Lisboa mas foi, no início, propriedade de uma empresa especialmente criada para a sua construção e exploração, a Empresa do Elevador do Carmo.
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