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Correio da Manhã

Cultura
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Chimpanzé pintor de telenovela da Globo provoca polémica

O escritor português António Avelar de Pinho acusa o brasileiro Walcyr Carrasco, autor da telenovela ‘Caras e Bocas’, produção da Globo que está a ser transmitida pela SIC, de se ter apropriado de uma personagem criada por si e por Pedro Freitas Branco na série de livros infanto-juvenis ‘Os Super 4’.
28 de Novembro de 2010 às 00:30
Co-autor dos livros infanto-juvenis ‘Os Super 4’, António Avelar de Pinho diz que a telenovela ‘Caras e Bocas’ se apropriou da sua personagem
Co-autor dos livros infanto-juvenis ‘Os Super 4’, António Avelar de Pinho diz que a telenovela ‘Caras e Bocas’ se apropriou da sua personagem FOTO: Bruno Colaço

Trata-se de um chimpanzé - ‘Chico Banzé' nos livros e apenas ‘Xico' na telenovela - com características que levam António Avelar de Pinho a afastar a hipótese de haver uma explicação lícita para tamanha parecença. "Costumo dizer que é tudo demasiado coincidente para ser coincidência", disse o autor ao CM, referindo-se ao facto de em ambos os casos o primata ter um passado circense, o hábito de esconder jóias e um talento para a arte moderna, aproveitado por um pintor até então ignorado pela crítica.

Depois de ser alertado por Pedro Freitas Branco, co-autor de ‘Os Super 4', agora residente no Brasil, de que a Globo tinha uma telenovela com um macaco pintor que é o verdadeiro autor das telas de um artista, o escritor contactou com a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) para ficar atenta aos primeiros episódios que seriam transmitidos em Portugal.

A cooperativa de autores encomendou um parecer a José Fonseca e Costa, que concluiu que o brasileiro se apropriou da personagem ‘Chico Banzé', aconselhando que a SPA entrasse em contacto com a Globo. Tal foi feito, sem quaisquer resultados.

Avelar de Pinho não espera mais do que o reconhecimento de que o chimpanzé pintor de ‘Caras e Bocas' foi inspirado na sua criação. E o que diria a Walcyr Carrasco se estivesse frente a frente com ele? "Dava-lhe os parabéns, pois soube pescar uma boa personagem do outro lado do Atlântico."

O CM enviou perguntas para os endereços de correio electrónico de Walcyr Carrasco, mas não obteve resposta ao longo desta semana.

FONSECA E COSTA GARANTE QUE HÁ "APROPRIAÇÃO"

Após receber a queixa de António Avelar de Pinho, a administração da Sociedade Portuguesa de Autores encomendou um parecer ao realizador José Fonseca e Costa para apurar a eventualidade de ter havido plágio em ‘Caras e Bocas'.

No documento de três páginas, a que o CM teve acesso, José Fonseca e Costa chamou a atenção para o facto de Walcyr Carrasco "ter ido buscar ao livro a personagem que transpôs para a sua trama novelesca", mas, apesar da "improbabilidade de ter inventado personagem tão original", considera que, em vez de plágio, houve uma apropriação da personagem.

SPA DIZ QUE NÃO PODE FAZER NADA NO ESTRANGEIRO

A Globo nunca chegou a responder a uma carta enviada pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) em Julho, mas a cooperativa que representa os criadores nacionais não vai fazer mais nenhuma ‘démarche'.

"Tendo em conta que o cumprimento efectivo de qualquer sentença judicial que viesse, eventualmente, a ser proferida, no âmbito de uma acção contra a Globo, teria de ser concretizado no Brasil, a SPA está limitada nesta decisão, dado que não tem competência territorial para actuar fora do território português", disse ao CM Carlos Madureira, do gabinete jurídico dessa entidade.

António Avelar de Pinho garantiu ao CM que a decisão de nada mais fazer não lhe foi comunicada, mas salienta: "Não quero acreditar que a SPA tenha desistido, embora os factos mostrem isso."

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