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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Colóquio internacional homenageia filósofo Fernando Gil nos 20 anos da sua morte

Evento foi organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

18 de março de 2026 às 07:32

Um colóquio internacional dedicado ao filósofo Fernando Gil, a propósito dos 20 anos da sua morte e do início da reedição da sua obra pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, começa esta quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

"Durante dois dias, o pensamento de Fernando Gil será analisado por alguns dos seus mais qualificados conhecedores, portugueses e estrangeiros, incluindo antigos alunos e investigadores de gerações seguintes, evidenciando a atualidade, a importância e a projeção do seu trabalho filosófico e do seu magistério", anuncia o Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA), na sua página.

Organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo CHAM -- Centro de Humanidades, o colóquio conta com uma comissão organizadora que inclui os investigadores Maria Filomena Molder e André Santos Campos, membros do IFILNOVA, que participarão no programa como moderadores e oradores, bem como a professora e os investigadores Marta Mendonça, Nélio Conceição e Nuno Fonseca.

Durante a manhã, Jean Petitot fará uma análise filosófica, intitulada "Vinte anos depois", seguida de apresentações de Olga Pombo e Niccolò Guicciardini sobre ciência, razão e determinismo no século XIX.

Da parte da tarde, Antonia Soulez e Sofia Miguens debruçam-se sobre a linguagem, a metafísica e a relação de Fernando Gil com Kant e Wittgenstein.

A programação inclui ainda uma mesa-redonda sobre "Mimésis e negação" e testemunhos de José Gil, Helder Macedo e Maria Luísa Couto Soares, culminando com o lançamento do primeiro volume das Obras de Fernando Gil, intitulado "Acentos. O hospital e a lei moral".

Na quinta-feira de manhã estão previstas comunicações de Nuno Miguel Proença, Inês Sousa e Renato Lessa sobre ficção, atenção, evidência e filosofia política em Fernando Gil, enquanto a tarde contará com apresentações de Marta Mendonça e Rui Bertrand Romão sobre ciência, metafísica e estética na obra do filósofo, seguidas de uma mesa-redonda dedicada a "La Conviction".

O colóquio encerra com a exibição do filme "Fernando Gil: A Alegria do Pensamento" (2023), de Abílio Leitão, sobre a vida e o pensamento do filósofo.

Segundo a organização, o encontro pretende revisitar não apenas o filósofo e professor que marcou várias gerações em Lisboa e em Paris, "mas também o intelectual em diálogo permanente com a ciência e as artes, figura decisiva no processo de internacionalização da universidade e dos centros de investigação em Portugal".

Nascido em 1937, em Moçambique, Fernando Gil estudou Sociologia na África do Sul, formou-se em Direito em Lisboa e em Filosofia em Paris, na Sorbonne, universidade pela qual se doutorou.

Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa a partir de 1976, deu aulas na Nova de Lisboa a partir do final dessa década, tendo chegado a catedrático em 1988, segundo a biografia da Infopédia.

Consultor da Presidência da República durante os mandatos de Mário Soares e de Mariano Gago no Ministério da Ciência, Fernando Gil venceu o Prémio Pessoa em 1993 e recebeu o Prémio PEN por "Mimésis e Negação", algumas de muitas distinções que recebeu ao longo da vida. Fernando Gil morreu em Paris, em 2006.

Num texto de Carlos Leone publicado pelo Instituto Camões, é classificado como "um dos nomes maiores do pensamento e do ensino filosófico português no século XX".

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