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Correio da Manhã

Cultura
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Coreografias

Esta semana, o artigo sobre SwáSthya fala da sua terceira principal característica: as aulas ministradas em formato de coreografia.
20 de Junho de 2005 às 00:00
Instrutora Anahí Flores, autora do livro “Coreografias do SwáSthya Yôga”, a executar um ásana em frente à Torre de Belém
Instrutora Anahí Flores, autora do livro “Coreografias do SwáSthya Yôga”, a executar um ásana em frente à Torre de Belém FOTO: Univ. Int. de Yôga
Os melhores instrutores de SwáSthya estruturam as suas aulas de maneira a que o aluno execute passagens entre uma técnica e outra, criando um encadeamento harmonioso através dos ásanas – técnicas corporais.
É sobre coreografias que falaremos um pouco esta semana, tendo por base o livro da Instrutora Anahí Flores, autora não só do livro “Coreografias do SwáSthya Yôga” (colecção Uni-Yôga) editado em espanhol (São Paulo, 2003) e português (Rio de Janeiro, 2004), bem como dos ainda inéditos “Instantes SwáSthya”, “Yôga: Como Escrever” e “Pensamentos fotografados”.
Como já foi dito no início, o resgate do conceito arcaico de sequências encadeadas sem repetição, ou seja, de coreografias, é uma das principais características do SwáSthya, do Yôga Antigo.
Os instrutores que entenderam a mensagem do sistematizador dão aulas com conteúdo, do início ao fim do sexto anga – parte – em formato de coreografia. E, no final do anga ásana, ainda incentivam os seus alunos a improvisar uma coreografia propriamente dita, em regime de prática livre.
Se, eventualmente, alguém supuser que o Yôga Antigo não possuía coreografias e que foi o Mestre DeRose que as introduziu, devemos corrigi-lo: o que o Mestre DeRose fez foi resgatar uma estrutura antiga que estava quase perdida.
O súrya namaskára é considerado um dos mais antigos conjuntos de técnicas corporais do Yôga, remontando aos tempos em que o homem primitivo cultuava o Sol. Pois o súrya namaskára, ‘saudação ao Sol’, é o mais eloquente exemplo da existência do que denominamos coreografia, no seio do Yôga ancestral.
Esta é a única coreografia ainda existente no acervo que o Hatha Yôga herdou dos Yôgas pretéritos, uma vez que o Hatha é um Yôga moderno, surgido no século XI da era cristã, e perdeu quase toda a sua tradição iniciática.
Portanto, o que hoje chamamos coreografia não só já existia como era uma forma de execução bastante arcaica. Se actualmente é pouco conhecida, é por estar praticamente extinta. Quanto a parecer dança, não nos esqueçamos que o criador mitológico do Yôga, Shiva, era um dançarino, e foi imortalizado na mitologia com Natarája – Rei dos Bailarinos.
As sequências coreográficas são, de facto, uma das principais características do SwáSthya. Esta características refere-se a:
1. Não repetição dos exercícios, evitando aquecer a musculatura. Quando as fibras musculares aquecem, dilatam, dando a falsa impressão de maior flexibilidade. No entanto, com o fim do exercício e consequente esfriamento, voltam a contrair-se.
2. Passagens, isto é, movimentos de enlace. Praticar em formato coreográfico estimula a nossa consciência a estar aqui e agora, sem interrupções ao passar de um exercício para outro. Ajuda a concentração, amplia a consciência corporal e faz da prática uma verdadeira obra de arte. Constitui parte da técnica corporal do Yôga: é o movimento que nos leva ao ásana, é o que transmuta aquele ásana num outro novo. As passagens coreográficas devem estar presentes do primeiro ao oitavo anga do ashtánga sádhana – prática em oito partes.
3. Coreografias, de ásanas, mudrás – linguagem gestual do Yôga feita com as mãos –, etc. Dentro do ashtánga sádhana, a coreografia propriamente dita ocupa os cinco minutos finais do anga ásana. Para o iniciante, a prática será induzida pelo instrutor; já o aluno adiantado praticará livremente – improvisando, criando uma sequência ou ensaiando uma coreografia sua já existente. Cabe aqui um esclarecimento: os cinco minutos finais do anga ásana, conhecidos como “prática livre”, referem-se à prática livre de coreografia e não de outra coisa qualquer. Alguns dos exemplos erróneos mais frequentes: movimentos sem técnica alguma, que não incluem ásanas ou mudrás; prática onde o aluno escolhe um ou mais ásanas com permanência.
As coreografias são a parte mais visível do SwáSthya. A mais visível e a que mais facilmente fica na memória de quem vê. Espreite a http://www.mundodoyoga.com.br/000059.php e vai ver como fica impressionado e com vontade de praticar também! Mas esta é apenas uma das partes. Linda, sem dúvida, mas só uma das oito partes que constituem o poderoso SwáSthya.
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