As costureiras que ao longo de anos fizeram os vestidos exclusivos de Yves Saint-Laurent insurgiram-se, em tribunal, contra as medidas tomadas pelo novo proprietário da casa de moda francesa, entre as quais a separação da equipa de produção dos novos modelos. A sentença entregue a um juiz de Paris será conhecida amanhã.
O destino dos 150 empregados tem sido uma incógnita desde que YSL se retirou, em Janeiro, e que o multimilionário das indústrias do luxo François Pinault anunciou a venda da casa de alta costura a uma firma francesa de pronto-a-vestir.
Os funcionários recusam-se a aceitar o fim de uma casa que criou alguns dos mais memoráveis “looks” do século XX, juntamente com Coco Chanel e Christian Dior. Muitas das funcionárias trabalham para YSL há décadas, algumas aprenderam a arte de bem costurar com as suas mães e avós e muitas chegaram a trabalhar dias ou semanas para produzir apenas um vestido de uma nova colecção.
Cerca de 60 costureiras estiveram no tribunal civil de Paris, sentadas em silêncio enquanto os advogados se insurgiram contra os termos da venda.
Pierre Berge, há muito companheiro e parceiro empresarial de Yves Saint Laurente disse, a propósito, que as medidas do novo proprietário vão mesmo contra aquilo que era o desejo do criador. Recorde-se que François Pinault cedeu a totalidade do capital da casa de Alta Costura Yves Saint-Laurent à SLPB Prestige Services, sociedade de pronto-a-vestir de luxo do empresário Patrice Bougygues.
Pinault, proprietário de YSL Alta Costura, disse, na ocasião, estar satisfeito porque esta medida permitirá aos empregados da mítica casa de moda francesa, conservar os seus postos de trabalho e a casa de alta costura francesa "continuar a expressar-se na cena mundial da moda".
Yves Saint-Laurent deixou a Alta Costura no passado mês de Janeiro, dois anos depois de ter feito o mesmo com o pronto-a-vestir, à frente do qual se encontra o texano Tom Ford, através do grupo Gucci, filial do grupo Pinault Printemps Redoute (PPR), propriedade de Pinault. É só negócio!
Antes do seu adeus, YSL recebeu garantias de Pinault de que a Alta Costura YSL não passaria para as mãos de Ford nem para o grupo Gucci, o que não parece ser viável.
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