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Correio da Manhã

Cultura
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Degradação sexual marca Festival de Veneza

O sexo esteve na mente dos principais filmes exibidos na secção competitiva da 68.ª edição do Festival de Veneza, cujos vencedores serão conhecidos este sábado. Desde logo pela forma quase unânime como ‘Shame’ (já comprado para Portugal, mas sem data de estreia), de Steve McQueen, dominou a atenção. Trata-se de um drama pessoal, baseado num solteirão (Michael Fassbender, também ele candidato ao prémio de interpretação masculina) que vê no sexo gratuito, pago a profissionais ou na masturbação,a forma de suportar o seu isolamento.
10 de Setembro de 2011 às 00:30
Michael Fassbender dá corpo a um adepto de sexo compulsivo em 'Shame'
Michael Fassbender dá corpo a um adepto de sexo compulsivo em 'Shame' FOTO: D.R.

Outro dos grandes candidatos é ‘A Dangerous Method’ (estreia a 24 de Novembro), de David Cronenberg (diz-se que foi rodado em simultâneo com ‘Cosmopolis’, produzido por Paulo Branco e com Robert Pattinson), sobre a relação entre os psicanalistas Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (de novo Michael Fassbender) e deste com uma paciente russa, Sabina Spielrein (Keira Knightley) sua futura colega. Ganha enlevo em grande parte pela forma como ela usa a descoberta do prazer sexual através da dor.

Associa-se a este lote ‘The Ides of March’ (estreia a 27 de Outubro), realizado e interpretado por George Clooney, ao lado de Ryan Gossling, em que o jogo de poder político acaba estar encoberto por um escândalo sexual em que intervém a muito bela Evan Rachel Wood.

Por isso mesmo, só se o júri liderado por Darren Aronofski (vencedor do Leão de Ouro, com ‘O Wrestler’, em 2008) e coadjuvado por Todd Haynes e David Byrne, entre outros, optar por prémios alternativos é que não passará por este trio de favoritos.

Mas não se pode esquecer ‘A Toupeira’ (estreia a 8 de Dezembro), um excelente filme de espionagem de época, baseado no romance de John Le Carré, e ainda a comédia ‘Carnage’, de Roman Polanski, com um quarteto de peso formado por Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly.

É seguramente a selecção de filmes mais forte do último ano, superando mesmo o Festival de Cannes. O que significa que o abandono anunciado do director Marco Mueller poderá ficar adiado por mais alguns anos.

PORMENORES

PORTUGUESES BEM REPRESENTADOS

Os portugueses fizeram boa figura em Veneza. E, curiosamente, abordaram também o sexo de uma forma curiosa. Uma relação homossexual alvo de um tribunal da Inquisição, acusando dois mouros no filme de Gabriel Abrantes, ‘Palácio de Pena, ou ainda uma relação de pedofilia sugerida em ‘Cisne', de Teresa Villaverde, ambos exibidos na secção Horizontes.

'DAMSELS IN DISTRESS' ENCERRA

Foi em tom de comedia espevitada que terminou o Festival de Veneza. ‘Damsels in Distress’ trouxe o americano Whit Stillman à realização, 13 anos depois de ‘Tha Last Days of Disco’. Agora com a excelente Greta Gerwig à frente de um grupo de universitárias encarregues de combater a melancolia e a depressão dos colegas com higiene e... números musicais. São, de facto, os diálogos bem urdidos que ganham o filme.

DECEPÇÕES E PROMESSAS

Muito mais se esperava dos três filmes italianos a concurso. Mas também do incompreensível ‘Fausto’ de Sokurov. Entretanto, Andrea Arnold dividiu as opiniões com a sua adaptação realista (pouco conseguida) de ‘Wuthering Heights’, o mesmo sucedendo ao grego Georgios Lanthimos, com o promissor ‘Alps’. Uma palavra ainda para o tocante ‘Dark Horse’, de Todd Solondz.

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