Estátua de "David" com genitais à mostra fez com que diretora de escola fosse demitida, mas há vários casos de obras de arte envoltas em polémicas e discussões.
Estátua de "David" com genitais à mostra fez com que diretora de escola fosse demitida, mas há vários casos de obras de arte envoltas em polémicas e discussões.
A diretora de uma escola da cidade de Tallahassee, no estado norte-americano da Flórida, foi forçada a demitir-se, há cerca de duas semanas, depois de alguns pais alegarem que os filhos, alunos do sexto ano, tinham sido expostos a pornografia quando lhes foram mostradas fotografias da estátua de "David", do artista Miguel Ângelo.
De acordo com a BBC, várias pessoas de todo o mundo ficaram surpreendidas com o caso, o que proporciona uma oportunidade para se refletir sobre quais as obras na história moderna, que sendo consideradas chocantes, mudaram a forma como se pensa a arte.
A obra de Miguel Ângelo, que se acredita ter sido esculpida em 1504, chegou a estar coberta com folhas de figueira no órgão genital. Foi apenas em meados do século XX que as folhas foram retiradas.
A BBC elaborou uma lista com as dez obras que se tornaram mediáticas por terem chocado a sociedade, mas ajudaram a redefinir a própria essência da arte.
Marc Quinn, "Self" (1991)
O artista britânico Marc Quinn utilizou o próprio sangue para fazer cinco moldes do rosto, em cinco anos diferentes. O processo de criação das obras de arte demorou 20 anos. A primeira obra foi feita em 1991 e a última em 2011.
O autorretrato do artista foi produzido numa altura em que Marc sofria de dependência do álcool, aspeto da sua vida que quis ver representado na obra. A ideia da "dependência" está refletida no facto de também a escultura estar "dependente" da eletricidade para manter a aparência congelada.
Segundo a BBC, para alguns espectadores, a obra é horrenda e provocadora, mas para outros encarna uma contribuição dolorosa e ousada para a tradição de autorepresentação.
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Allen Jones, "Chair" (1969)
Bengaleiro, mesa e cadeira é uma série de três esculturas eróticas do artista britânico Allen Jones. Foram criadas em 1969 e exibidas pela primeira vez em 1970, gerando alguns protestos de ativistas feministas que as viam como uma objetificação das mulheres. Em março de 1986, Dia Internacional da Mulher, a obra foi atingida com tinta corrosiva por uma dupla de manifestantes.
Piero Manzoni, "Merda d’Artista" (1961)
Piero Manzoni, artista de vanguarda italiano, decidiu colocar em 90 latas 2700 gramas das próprias fezes. A obra, criada em 1961, pretende ser uma resposta a um comentário do pai, que comparou o trabalho do artista a excrementos.
As latas, com rótulos em italiano, francês, inglês e alemão, continham informações como o peso, prazo de validade e a data de fabrico do produto.
Em 2016, uma das latas foi vendida em leilão por 275 mil euros.
Robert Rauschenberg "Erased de Kooning Drawing" (1953)
O artista americano Robert Rauschenberg quis desafiar o conceito de arte, que normalmente consiste em adicionar elementos a uma tela, e decidiu reverter o processo ao apagar elementos de um desenho. Robert convenceu o amigo Willem de Kooning a sacrificar uma ilustração.
A BBC descreve o resultado como "um papel limpo de qualquer imagem", desafiando quem observa a decidir se o papel em branco é arte.
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Judy Chicago, "Dinner Party" (1979)
Esta obra comemora a contribuição das mulheres para a história cultural. Uma mesa de banquete triangular com 39 lugares, cada um celebrando uma mulher importante da história. A mesa tem cerca de uma dezena de pratos pintados à mão, muitos deles decorados com borboletas e vulvas. Os nomes de 999 mulheres estão inscritos em ouro no chão de azulejos brancos por baixo da mesa triangular.
Segundo o jornal The Guardian, a artista britânica contemporânea Cornelia Parker afirma que a obra "é um pouco deprimente". "Estamos todas reduzidas a vaginas", diz.
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Richard Serra, "Tilted Arc" (1981)
A polémica instalação de arte pública consistia numa placa de aço sólida e inacabada, coberta de ferrugem e com 36 metros de comprimentos e três de altura.
A obra esteve exposta no Foley Federal Plaza, em Manhattan, Nova Iorque, EUA, mas em 1989 foi removida e transportada para um armazém. Aqueles que por ela passavam todos os dias achavam a escultura extremamente perturbadora para as suas rotinas diárias e, no espaço de alguns meses, 1300 funcionários do governo assinaram uma petição para a remoção da obra de arte.
Os críticos concentram-se na feiura, mas os defensores da obra caracterizam-na como um avanço do conceito de escultura.
Christo e Jeanne-Claude, "Surrounded Islands" (1983)
Esta é um obra de arte ambiental, criada em 1983. Os artistas Christo e Jeanne-Claude cercaram as 11 ilhas da baía de Biscayne, em Miami, EUA, com tecido rosa. No entanto, vários ambientalistas acabaram por protestar contra a obra, preocupados com o efeito a longo prazo nos habitats dos animais.
O diálogo iniciado após a exibição da obra, que obrigou as autoridades e moradores locais a discutir a fragilidade do ambiente em que viviam, estava entre os objetivos dos artistas.
Tracey Emin, "My Bed" (1998)
A famosa cama desfeita simboliza um episódio depressivo na vida da artista, rodeada por preservativos, lençóis manchados e garrafas de bebidas alcoólicas vazias.
No entanto, várias pessoas ficaram indignadas por a obra da artista estar na exposição do Prémio Turner de 1998. Segundo a BBC, os defensores da obra ficaram surpresos pela forma como uma cama desarrumada conseguiu gerar tanta indignação, com muitos a afirmarem que esta obra mostrava que a arte tinha perdido o rumo.
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David Cerný, "Shark" (2005)
Enquanto para uns a escultura do ditador iraquiano Saddam Hussein amarrado foi uma peça meramente gráfica, para outros aproximou Saddam do papel de vítima.
A exibição da obra no museu de Middelkerke, na Bélgica, em 2006, acabou por ser cancelada por medo de "que certos grupos achassem a obra muito provocadora".
Segundo o autor, a obra faz referência à escultura do tubarão de Damien Hirst, que gerou polémica e abriu a discussão sobre se é correto matar um animal vivo apenas para o exibir como uma peça de arte. O artista decidiu diferenciar-se de Hirst ao submergir uma escultura de Saddam Hussein, preso por cordas, dentro de um aquário.
"Provavelmente tive a ideia porque estive em Bagdade há um ano como jornalista. Alguns sentimentos surgiram da minha experiência lá. Assim, tentei perceber dentro da escultura os sentimentos subjacentes contra o Iraque naqueles dias e a realidade subjacente de como a semi-ajuda/não ajuda da ocupação americana/não ocupação estava a ser aceite", diz o artista.
Paul McCarthy, "Tree" (2014)
A enorme escultura insuflável do artista americano Paul McCarthy foi erguida no Natal na Place Vendôme, em Paris, França, mas acabou por ser derrubada e esvaziada por vândalos. A obra era muito semelhante a um adereço sexual.
Paul McCarthy chegou mesmo a ser agredido durante uma entrevista ao Le Monde, pouco tempo depois de ter instalado a obra. Um homem perguntou-lhe se era o artista responsável pela criação e, assim que McCarthy confirmou ser o autor, foi agredido três vezes na cara. O agressor colocou-se em fuga.
Vinte minutos depois, o grupo católico Printemps Français escreveu no Twitter: "Um anal plug gigante de 24 metros de altura acaba de ser instalado na Place Vendôme! Place Vendôme desfigurado! Paris humilhado". Este foi um dos primeiros comentários sobre a obra e acabou por desencadear uma onda de críticas na Internet.
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