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Correio da Manhã

Cultura
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ESTUPIDEZ PÁRA O ROCK

Foi curta, muito curta, a passagem dos Nickelback por Portugal. Escalada para o encerramento da segunda noite do festival da Ilha do Ermal, a banda canadiana abandonou o palco ainda a segunda canção não tinha terminado.
20 de Agosto de 2002 às 23:01
Tudo porque desde que pisou o palco foi alvo do arremesso de objectos vários, desde garrafas (de vidro também) com água e areia, a isqueiros, batatas e pedras, que chegaram a "abrir" a cabeça a uma jovem que se encontrava nas primeiras filas.

"A estupidez de meia dúzia de pessoas estragou um concerto" justificou mais tarde aos jornalistas o emocionado Nuno Braancamp, responsável máximo da empresa promotora do festival, a Ritmos & Blues. Desconsolado, o sócio, Álvaro Ramos, foi mais longe e equacionou mesmo a possibilidade de "repensar tudo isto". O Festival da Ilha do Ermal deixou mossa.

Embora não inédito em palcos lusos, o episódio acabou por dominar a jornada dois do evento. E nada o fazia prever. Após uma prestação - mais uma - inflamada dos Da Weasel, o clima era de festa. Propício ao rock ’ n' roll dos Nickelback, que entraram a rasgar com "Woke up This Morning".

Mas logo começou a chuva de objectos, o que obrigou a banda a estar permanentemente em alerta. E assim entraram por "One Last Run", a última corrida, de facto, já que o grupo nem sequer chegou a acabar o tema. O vocalista Chad Kroeger pousa a guitarra e dirige-se ao público: "Querem ouvir rock ’ n' roll ou ir para casa? É com vocês". Ainda não tinha acabado a frase quando uma garrafa lhe atravessa os cabelos compridos. Foi a gota de água. Nem cinco minutos depois, os canadianos abandonavam o recinto em carrinhas.

Lá dentro, o animador tentava chamar à razão a multidão e a pedir o regresso do grupo. "Nickelback! Nickelback!" ainda ecoou, mas tarde de mais. "Meia dúzia de estúpidos" estragou aquilo que poderia ter sido um bom concerto de rock’ n' roll. Pelo pouco que os Nickelback mostraram tudo levava a crer que sim. Mas foi com a música bombada por António Freitas que se fez o encerramento da noite, não sem alguma ironia: "People = Shit", dos muito aguardados Slipknot, foi recebido em delírio.

Legião lusa

Face ao acontecido, a participação estrangeira no festival ficou limitada aos norte-americanos Jimmy Eat World, que pouco antes da entrada em cena se mostravam excitados com a ideia de "tocar num festival rock" depois da estreia, em Fevereiro último, no Paradise Garage de Lisboa. Em palco, o quarteto deu boa conta de si, exibindo nervo e atitude num conjunto de canções de que se destacam "Bleed", "Blister" e "Evil". Missão cumprida a preceito.

Toda a restante jornada ficou pois por conta da prata da casa. Da Weasel foram, com naturalidade, os mais celebrados e aqueles que maior agitação provocaram na plateia, mas a surpresa coube aos Tara Perdida, que trouxeram ao Ermal o irreverente espírito do punk-hardcore.

Num concerto temperado por um chorrilho de cara..... , que não poupou sequer a classe política, os Tara mostraram maior consistência enquanto banda, apesar da cadência "meia-bola e força". "Nasci Hoje", "Zombies", "Desalinhado" e "Até m' embebedar" foram os pontos altos da actuação.

Squeeze Theeze Pleeze e Fonzie foram os restantes grupos que passaram pelo palco. Os primeiros não conseguiram estar tão bem como em Paredes de Coura e só a espaços conseguiram inflamar o escasso público que se lhes deparou, mais entretido com as bolas de plástico postas a circular pela banda.

Os Fonzie, por seu lado, cumpriram. O som nem sempre ajudou e o grupo deu o que pôde. Pop-rock esgalhado, canções apelativas - "Sunny Days", "Rock My Heart" - e atitude. Bem.
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