Colin Firth deixa para trás a imagem de galã para interpretar um homossexual depressivo em ‘Um Homem Singular’, já nas salas. É favorito ao Óscar de Melhor Actor.
Correio da Manhã – Esta é, seguramente, uma das mais conseguidas interpretações masculinas do ano. O facto de interpretar um homossexual fê-lo hesitar?
Colin Firth – Pode ser aceitável que um actor hesite em interpretar um psicopata, mas vacilar por interpretar um homossexual é algo que me escapa. Até porque, no meu caso, a primeira personagem que interpretei foi um gay (‘Another Country’). É uma história de amor.
– Acha que ainda não está completa a aceitação do casamento de pessoas do mesmo sexo?
– Claro que não. Ironicamente, a cena em que George recebe pelo telefone a notícia da morte de Jim foi filmada no dia em que Barack Obama foi eleito presidente, mas também aprovada na Califórnia a ‘Proposition 8’, a emenda à Constituição que proíbe o casamento entre gays. Isso diz tudo.
– Como descreveria a experiência de trabalhar com Tom Ford? Ele que se estreou neste filme como realizador...
– Percebi logo que ele era um realizador nato. Se não foi no primeiro, foi logo no segundo dia. Esse é o ‘feeling’ que um actor sente quando começa a trabalhar. Apesar do Tom vir da moda, percebi que a simplicidade era a sua arma.
– Penso que é legítimo falar-se em Óscar diante desta sua prestação. Como encara essa possibilidade?
– É muito cedo para pensar nisso. O importante é um filme pequeno como este ser bem recebido.
– O Colin é um actor que consegue o equilíbrio certo entre grandes produções e filmes independentes. É uma escolha consciente?
– Faço apenas o que me interessa em cada momento. Tento não me aborrecer. Não havia nada neste filme que me dissesse que queria fazê-lo porque era uma pequena produção, nem em ‘Mamma Mia’ porque era uma grande produção. Passei de um para o outro e sinto-me com sorte por fazê-lo. Talvez isso termine já amanhã.
– Celebra este ano 50 anos. Como encara o processo de envelhecimento. É algo que o assusta?
– Bom, este é o meu estágio… [risos]. Tudo tem a ver com o que se faz. O que posso dizer é que o meu trabalho está a tornar-se mais interessante. Logo para mim, que tenho este rosto pouco expressivo.
PERFIL
COLIN ANDREW FIRTH nasceu a 10 de Setembro de 1960, em Hampshire, Reino Unido. Estreou-se com ‘Another Country’ (1983), mas só obteve sucesso global com o papel de Mr. Darcy na série ‘Orgulho e Preconceito’ (1995). Em 2001 era a vez de Mark Darcy apaixonar o meio feminino, em ‘O Diário de Bridget Jones’. Este ano foi nomeado pela primeira vez para o Óscar. E pode ganhar.
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