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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Fadista Rui Martins Ferreira lança novo livro

<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">Chama-se ‘Fadistas do Século XXI – O Fado Revistado em Biografias Várias’, o novo livro de Rui Martins Ferreira, e uma obra que o próprio descreve como “uma espécie de dicionário” que serve ao leitor como guia das novas vozes do fado. A ideia para este trabalho, foi-lhe sugerida pelo fotógrafo João Vasco, e o resultado já está à venda nas livrarias.

24 de abril de 2013 às 21:16

Correio da Manhã - O seu livro começou por ser um conjunto de fotografias…

Rui Martins Ferreira - Sim, surgiu em conversa com o João Vasco, que me desafiou a escrever sobre os novos valores do fado. Os artistas que ele já tinha fotografado... Mas já antes, no Museu do Fado, quando lancei o meu primeiro livro, me tinham perguntado se eu não queria escrever sobre o tema. Sobre as novas vozes que aparecem para perpetuar o fado.

- O seu livro é um guia para quem gosta do fado. Um documento, também, para ficar para a posteridade?

- É sobretudo um documento histórico, sim, que vem dar uma achega à bibliografia já existente sobre o fado. As entradas vão de A a Z, desde a Aldina Duarte ao Vicente da Câmara Pereira. O livro contém a biografia completa de cada artista e também textos complementares, que abordam as inovações que cada um tem trazido ao fado.

- Quer dar um exemplo?

- Por exemplo, o Paulo Bragança e a Mísia. Inovaram, desde logo, pela indumentária. Pela forma de cantar, que, no caso da Mísia, chega ao transcendental. Ela é exótica e mística. Depois, a parte instrumental… A Lula Pena, que é uma artista que trouxe grandes novidades para a forma de cantar o fado e de estar em cena. Que lhe junta sonoridades de outras tradições musicais…

- Mas já está a preparar um novo livro, desta feita sobre o seu tema predileto, Amália Rodrigues?

- Sim. Muito se tem escrito sobre a Amália. Foi a primeira fadista a ser analisada no meio universitário. Eu fiz a minha tese de mestrado sobre ela. Na realidade, privei com Amália durante muitos anos e agora apetece-me abordar a pluralidade de mulheres que ela continha em si. A mulher vaidosa, a mulher lunar e solar, a mulher que amava a natureza mas que tinha um grande fascínio pelo mistério da morte. A mulher que nunca perdeu o seu lado popular. Aquela que financiou o PCP e que depois foi acusada de ter relações com o poder fascista... Mas também a mulher religiosa e a mulher de família. De todas, a mulher fadista foi aquela que ela mostrou ao Mundo. Eu vou revelar o resto.

- Entre a escrita, continua a dar aulas e concertos?

- Ainda canto. Não consigo separar as minhas três vertentes: a de professor; a de escritor e a de fadista. Também produzo musicais com os meus alunos.

- Quem o quiser ouvir, onde vai?

- À Tasca do Chico, no fins de semana. À Lanterna Verde, em Alfama. Canto onde me pedem para cantar.

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