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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

‘Fadistas do Século XXI’ rejeita ideia de nova geração

‘Fadistas do Século XXI’ resulta da compilação de várias fotos da autoria de João Vasco onde os principais fadistas portugueses foram ‘homenageados’ nas palavras de Rui Martins Ferreira, o autor do livro. A seu ver, não há uma nova geração no mundo do Fado, apesar da constante tentativa de reencarnar Amália nos fadistas do presente, tais como Mariza. <br/>

23 de fevereiro de 2013 às 15:16

A obra, que pretende "colecionar fotografias de Fado", para assim se conseguir compilar o "mundo do Fado", foi mais uma vez apresentada esta semana. Desta vez, o palco escolhido foi a livraria ‘Europa-América' em Lisboa.

João Vasco, responsável pelas fotografias presentes na obra, iniciou a apresentação do livro referindo que a fotografia não é usada como ilustração mas sim como "fonte histórica" tendo em conta que este pretendeu "ver o fado".

Afilhado de Amália por ‘obrigação' e fadista por opção, Rui Martins Ferreira sempre mostrou a sua vontade de exaltar Amália e a melhor prova disso foi a sua primeira obra intitulada ‘Amália, a Divina Voz dos Poetas e de Portugal'.

Para ele, falar de Portugal no masculino é a referência ao País em si, enquanto que o rosto feminino deste retângulo à beira mar plantado é, ainda hoje e mesmo no estrangeiro, Amália.

Com este novo livro, apresentado inicialmente em dezembro passado, no Museu do Fado, Rui Ferreira pretende mostrar que "não há um novo Fado" pois os novos fadistas apenas "trazem novas sonoridades como a harpa, o violino, o violoncelo, o piano, ...".

No entanto, a própria Amália já trazia também isso com Frederico Valério. O que realmente se encontra hoje é um "moldar do Fado", tal como Rui Ferreira disse ao Correio da Manhã

Terminando a apresentação com cinco fados encabeçados pelo emblemático ‘Estranha Forma de Vida', que fez as pessoas que passavam na rua espreitar para dentro da livraria, ficou também a promessa de um novo livro onde será explorado, nas próprias palavras de Rui Martins Ferreira, "o universo feminino de Amália".

"Vou mais além do que a biografia. Pretendo retratar a Amália irmã, a Amália madrinha, a Amália vizinha, a Amália mulher da moda, a Amália vaidosa, a Amália rapariga alegre, vou novamente buscar o lado solar e o lado lunar dela, a Amália com medo de dormir no escuro, a Amália com um apetite ávido pelo suicídio. Vou trazer isto tudo de uma forma diferente. Quero dar a conhecer a Amália fora dos palcos, a rapariga do quotidiano, a nossa Amália", concluiu.

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