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Fame com sotaque do Porto não convence

Se fosse o espectáculo de fim de curso seria excelente mas, como musical de megaprodução portuguesa, não convenceu.

18 de fevereiro de 2006 às 00:00

O elenco de ‘Fame’, que anteontem se estreou no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, integra alunos e professores das escolas de canto, representação e dança do Porto e da capital mas precisava de mais talento e ensaios e, em especial de uma boa direcção de actores, para brilhar num espaço daquela dimensão. Talvez numa sala mais pequena, o musical produzido em português e cantado em inglês ganhasse mais força, ao contrário do que aconteceu.

Perante uma assistência de cerca de 2500 pessoas, 40 bailarinos, cantores e actores deram o seu melhor… mas não chegou.

‘Fame’ à portuguesa tem um forte sotaque do Porto e a aposta dos diálogos em português fraqueja no salto para as canções no inglês original, perdendo o sentido. Por outras palavras, mais valia que as canções fossem também adaptadas, e não literalmente traduzidas, como o texto.

Num musical é suposto que as músicas prolonguem a acção mas, com o desfasamento da língua (apesar da intenção ser positiva), deixa de se perceber o encadeamento da história. Entre as dezenas de pessoas que, no intervalo, abandonaram o Atlântico, um espectador norte-americano comentava: “Não percebi sequer o que eles cantam.”

No final, nem mesmo a última cena, com a bailarina Cármen Diaz a cantar a plenos pulmões o emblemático tema ‘Fame’, que se perpetuou desde os anos 80 – época do filme e da série televisiva de culto –, conseguiu arrebatar os presentes que aplaudiram… serenamente.

‘Fame’ continua em cena no Atlântico até amanhã.

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