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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Fanatismo religioso em Oeiras assinala regresso de Filomena Gonçalves

'A Casa de Bernarda Alba', peça maior de Federico García Lorca, estreia no Auditório Eunice Muñoz.

03 de novembro de 2019 às 09:45

O fascínio de Celso Cleto pelo dramaturgo Federico García Lorca (1898-1936) já vem de longe. O encenador diz que teve "o privilégio de conhecer o sobrinho do escritor, então à frente da fundação" que leva o seu nome.

"É um autor que sempre me despertou interesse, não só pela grandeza da obra, como também pelo dramatismo da vida: o percurso político que o levaria ao fuzilamento, pelas tropas de Franco."

Entre todos os textos do escritor, porém, o que mais lhe apetecia levar à cena era ‘A Casa de Bernarda Alba’, terminado um mês e meio antes da morte de Lorca e na qual sempre imaginou Filomena Gonçalves no papel titular.

Há 18 anos que a atriz não pisava os palcos, mas fá-lo agora, neste espetáculo que estreia no Auditório Eunice Muñoz, Oeiras, na quarta-feira.

"Há muito quem tenha feito uma leitura política do texto, mas a nossa opção foi outra: acentuei o radicalismo religioso que a peça contém. E sempre que o fanatismo está presente, a violência e a morte estão anunciadas..." No elenco, estão também Estrela Novais, Ana Catarina Afonso, Isabel Leitão e Rita Cleto, entre outras. ‘A Casa de Bernarda Alba’ fica em cena pelo menos até ao fim do ano.

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