Entrada no novo ano reúne autores centrais do pensamento crítico contemporâneo.
Feminismo, violência, decolonialidade, ecologia, raça, arte e liberdade são os temas que marcam as principais novidades editoriais da Orfeu Negro para 2026, que reúne autores centrais do pensamento crítico contemporâneo, como Françoise Vergès, Itziar Ziga e Jacques Rancière.
Entre os destaques do início do ano está "Uma teoria feminista da violência", da politóloga e ativista franco-reunionense Françoise Vergès, que denuncia a viragem punitiva e carcerária das políticas de combate à violência de género, sublinhando o papel do Estado na sua reprodução, "ao centrar-se nos 'homens violentos'" e omitir "a origem da sua violência".
Também em janeiro está prevista a chegada de "Rosa: História de uma cor", do historiador francês Michel Pastoureau, que percorre a história simbólica e cultural do cor-de-rosa na Europa, desde a Antiguidade até à contemporaneidade, mostrando que as conotações sociais, políticas e de género têm mudado ao longo dos séculos.
Este é mais um livro de um dos maiores especialistas na simbólica das cores e em heráldica, de quem a Orfeu Negro já publicou anteriormente "Branco", "Amarelo", "Vermelho", "Verde", "Azul" e "Preto".
Em fevereiro, a editora publica "A feliz e violenta vida de Maribel Ziga", da jornalista e ativista basca Itziar Ziga, um relato autobiográfico que cruza memória familiar, violência patriarcal e resistência feminista.
"Escrito a partir da dor, de voos furtivos às recordações da violência, este é um exercício de reparação pessoal e coletiva, inflamado de raiva e de alegria de viver", destaca a editora, referindo que a autora retrata uma infância marcada pela brutalidade de um pai violento e de uma mãe que, contra toda as adversidades, tentou criar as filhas com amor e liberdade.
"Sem limites, sem vergonha", da poeta e ativista afro-alemã May Ayim, é outra das novidades, uma obra póstuma que reúne ensaios, entrevistas e discursos fundamentais para os estudos pós-coloniais e anti-racistas na Alemanha.
O mês de março será marcado pela publicação de "O sexo que não é um sexo", clássico do feminismo psicanalítico de Luce Irigaray, e "Uma ecologia decolonial", do filósofo e engenheiro ambiental Malcom Ferdinand, que propõe uma leitura ecológica ancorada nas histórias coloniais do mundo caribenho.
No mês seguinte, chega às livrarias "Ao longe a liberdade", um ensaio do filósofo francês Jacques Rancière sobre a obra de Tchekhov, no qual o autor reflete sobre formas discretas de resistência e emancipação no quotidiano, um livro que -- nas palavras da editora -- "ressoa com a nossa própria época: como esperar sem ilusões, como continuar a lutar pela liberdade num mundo saturado de resignação?".
O planeamento editorial prossegue em setembro com "Amor e dinheiro, sexo e morte", da teórica cultural e escritora McKenzie Wark, uma obra autoficcional centrada na transição de género, na memória e nas relações afetivas.
Em outubro, chega a primeira edição portuguesa de "As almas das gentes negras", obra seminal de W.E.B. Du Bois, que analisa a experiência afro-americana numa sociedade marcada pelo racismo, introduzindo o conceito de "dupla consciência" para descrever a tensão entre identidade própria e o olhar imposto pelos outros.
Trata-se de uma obra que combina sociologia, História e intervenção política, denunciando os efeitos da segregação e afirmando a dignidade e a humanidade das comunidades negras.
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