Atriz protagonista do filme foi também distinguida com o Leopardo de Melhor Interpretação Feminina.
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O filme "Vitalina Varela", do realizador português Pedro Costa, conquistou este sábado o Leopardo de Ouro, prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, anunciou a organização.
De acordo com o sítio ´online´ do festival, a atriz protagonista do filme, Vitalina Varela, foi também distinguida com o Leopardo de Melhor Interpretação Feminina.
Depois de ter sido distinguido em Locarno, em 2014, com o prémio de melhor realização por "Cavalo Dinheiro", Pedro Costa regressou este ano ao festival estreando o filme sobre uma mulher cabo-verdiana que chega a Portugal três dias após a morte do marido, depois de ter estado 25 anos à espera de um bilhete de avião.
Pedro Costa conheceu Vitalina Varela quando rodava "Cavalo Dinheiro", acabando por incluir parte da sua história na narrativa, mas o novo filme é totalmente dedicado a esta cabo-verdiana de 55 anos.
A atriz cabo-verdiana também foi distinguida na sexta-feira com o Prémio Boccalino d'Oro para melhor atriz, disse este sábado à agência Lusa a produtora Optec Filmes.
O Boccalino d'Oro é um prémio paralelo ao Festival Internacional de Cinema de Locarno, entregue por um júri independente, tendo sido criado por um grupo de programadores e cineastas no ano 2000.
Só um realizador português conquistou antes o Leopardo de Ouro do Festival de Locarno: José Álvaro Morais, em 1987, pelo filme "O Bobo".
Nascido em Lisboa, em 1959, Pedro Costa é um cineasta independente, herdeiro das experiências feitas em 16mm no documentário pelos seus pares do chamado Novo Cinema, tendo-se formado na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.
Iniciou a atividade nos anos 1990, tendo sido assistente de realização de Jorge Silva Melo e de João Botelho, criando, até hoje, 15 longas e curtas-metragens como "Ne Change Rien" (2009), "Juventude em Marcha" (2006), "Ossos" (1997), "Casa de Lava" (1994) e "O Sangue" (1989).
O filme "No Quarto da Vanda" deu-lhe o Prémio France Culture para o Cineasta Estrangeiro do Ano, no Festival de Cannes de 2002.
Desde a estreia, em Locarno, o agora premiado "Vitalina Varela" já tinha recebido vários elogios da crítica a nível mundial, nomeadamente do Hollywood Reporter, que o descreveu como "um épico intimista" e "trágico", considerando que esta nova longa-metragem irá colocar Pedro Costa "num novo patamar de ambiente, forma e narrativa" cinematográfica.
O portal IndieWire, por seu lado, definiu "Vitalina Varela" como mais uma "visão arrebatadora e magistral de Pedro Costa", sublinhando que, desde que Bela Tarr se retirou da filmagem de novas obras, o realizador português tem sido o "porta-estandarte de um certo tipo de cinematografia severa, lírica, ancorada em ambiguidade e rica de implicações".
Por seu turno, o sítio 'online' da revista francesa Les Inrockuptibles descreve a obra do realizador português como um projeto "entre o documentário e o retrato íntimo", num ambiente que "intriga pela aridez e beleza plástica".
O novo filme de Pedro Costa estará ainda em competição, em setembro, no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, e no 57.º Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde tem garantida distribuição em 2020.
No Festival de Cinema de Locarno foram também exibidos filmes dos realizadores portugueses Basil da Cunha e João Nicolau, na competição internacional.
Na competição do festival suíço estreou-se "Technoboss", de João Nicolau, protagonizado pelo ex-programador cultural Miguel Lobo Antunes, no papel de um sexagenário divorciado, e pela atriz Luísa Cruz.
A ele juntou-se, "O fim do mundo", segunda longa-metragem de ficção do luso-suíço Basil da Cunha, sobre Spirra, "um jovem que acaba de sair de um colégio interno e se encontra de novo com os amigos na Reboleira".
Fora de competição, Locarno exibiu também "Prazer, Camaradas!", de José Filipe Costa, a partir de histórias de portugueses e estrangeiros vividas em cooperativas e aldeias portuguesas, no pós-25 de Abril de 1974.
Na secção 'Pardi di Domani' encontrava-se a coprodução portuguesa "Vulcão: O que sonha um lago?", da romena Diana Vidrascu, desenvolvida numa residência artística nos Açores, enquanto Maya Kosa e Sérgio da Costa mostram "L'île aux oiseaux", a concurso na secção Cineastas do Presente.
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