O Hard Club alertou nesta quarta-feira para as "dificuldades" financeiras que atravessa devido à dívida de 520 mil euros do Estado, existindo já salários em atraso e demoras no pagamento a fornecedores, disse à Lusa a porta-voz do equipamento portuense.
O "motivo maior" para as "dificuldades" da empresa instalada no Mercado Ferreira Borges, no Porto, deve-se aos "320 mil euros em falta" por parte do Turismo de Portugal, adiantou a porta-voz, Ana Póvoas, recordando que a este montante se juntam 200 mil euros de reembolso de IVA.
"Estão em falta 320 mil euros, referentes a verbas do QREN [Quadro de Referência Estratégica Nacional], do Turismo de Portugal, que deviam ter sido entregues até agosto de 2011. Estamos com dificuldades e, naturalmente, o motivo maior são as verbas em falta, contratualizadas com Turismo de Portugal em 2010", afirmou Ana Póvoas.
Além disso, "o Hard Club também tem a haver, do Estado, um grande bolo de reembolso de IVA, relativo à fase de projectos e investimento, no valor de 200 mil euros".
Quanto às verbas comunitárias contratualizadas com o Turismo de Portugal, Ana Póvoas refere que o Hard Club "não sabe" o que lhes aconteceu, lembrando que as mesmas são "tuteladas pelo Turismo de Portugal", dependente do Ministério da Economia.
"Tem havido contacto regulares, a um ritmo semanal, com o Hard Club e o Turismo de Portugal, mas não nos dão resposta", lamenta.
Fonte do Turismo de Portugal disse nesta quarta-feira à Lusa que aquele instituto "cumpre, como é habitual, todas as suas obrigações financeiras nos que respeita à transferência dos incentivos financeiros, não constituindo este caso qualquer excepção a esta regra".
A porta-voz do Hard Club admite que "há muita documentação envolvida no processo" e que o mesmo "não é linear", mas assegura que a empresa está "a cumprir" a sua parte no contrato.
O documento, assinado em Julho de 2010 "com o Turismo de Portugal, na presença do então ministro da Economia, Vieira da Silva", previa a entrega de cerca de "1,5 milhões de euros, divididos em três tranches", observa Ana Póvoas.
"Foram pagos 800 mil euros, 330 mil euros e agora falta a última tranche, que devia ter sido entregue até agosto de 2011", acrescenta, explicando que os salários em atraso "são referentes a 2012" e que existem também "atrasos a fornecedores".
O espaço tem tido "uma média de 40 eventos por mês", colocando a facturação "acima das estimativas", mas a mesma "está a ser canalizada para pagar o investimento, no valor de três milhões de euros".
"Como há uma verba contratualizada que não chega, há dificuldades", resume a porta-voz do equipamento cultural, assegurando que o pagamento das rendas à Câmara do Porto "está regularizado".
O comunista pergunta ainda se Rio "como avalia a presente capacidade financeira do concessionado no cumprimento do contrato de concessão".
Durante a concessão de 17 anos, o Hard Club previa atrair quase cinco milhões de clientes (290 mil mensais) e criar 44 postos de trabalho (15 a recibos verdes), acrescenta o vereador da CDU.
Para além disso, a empresa devia "implementar um projecto de requalificação do imóvel com um investimento superior a 2 milhões de euros, dos quais 1,5 milhões de euros financiados pelo QREN".
O Hard Club fez história como sala de concertos na marginal de Gaia, onde esteve instalado durante nove anos e foi a única empresa interessada no concurso público lançado pela Câmara do Porto para a gestão do Mercado Ferreira Borges.
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