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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

História desconhecida do Charlot português revelada em livro

Emídio Ribeiro Pratas, nascido em 1899, criou a réplica lisboeta de Charlot.

20 de maio de 2019 às 16:20

A história desconhecida do realizador português que ficou conhecido como "Charlot Português" por ter feito a primeira comédia cinematográfica portuguesa ao estilo de Charlie Chaplin, em 1917, é revelada num livro que chega na terça-feira às livrarias.

Editado pela Casa das Letras, "Pratas Conquistador -- A História Desconhecida de um Charlot Português" é escrito pelo tradutor e romancista Paulo M. Morais, que descobriu por acaso, durante arrumações numa casa de família, que era sobrinho bisneto de Emídio Ribeiro Pratas, o realizador do filme "Pratas, o conquistador", que se encontra na Cinemateca Portuguesa, revela a editora.

À semelhança do inglês Charlie Chaplin, Emídio Ribeiro Pratas foi também realizador e ator, embora com uma carreira muito fugaz e pouco conhecida.

Corria o ano de 1917, quando Emídio Ribeiro Pratas, nascido em 1899, criou a réplica lisboeta de Charlot, com bigodinho e chapéu de coco, uma figura marginal e petulante, mas também um conquistador, sempre a arranjar sarilhos, que acaba fatalmente com um olho negro, numa fuga acelerada ou a contas com a polícia.

A personagem original do Charlot foi apresentada ao público em 1914 e, dois anos depois, surgiram em Portugal duas imitações feitas por um cómico espanhol conhecido por Cardo e filmadas por Ernesto de Albuquerque, intituladas "Chegada de 'Cardo as Charlot' a Lisboa" e "Uma Conquista de 'Cardo as Charlot' no Jardim Zoológico de Lisboa".

No ano seguinte surgiu a única réplica lisboeta, a de Emídio Pratas, "Pratas, Conquistador", também filmada por Ernesto de Albuquerque, com o patrocínio do Cinema Condes, que se estreou a 10 de julho de 1917, no Chiado Terrasse, em Lisboa. A ficção cinematográfica portuguesa tinha nascido dez anos antes.

Cerca de um século depois, Paulo M. Morais, tradutor e romancista, finalista do Prémio LeYa em 2015, descobriu inesperadamente, no meio da tarefa de esvaziar uma casa de família, um conjunto de cartas, fotografias e recortes, que lhe revelaram a existência de um tio-bisavô pioneiro do cinema em Portugal.

Perante esta descoberta, levantaram-se várias questões ao narrador: "Será o misterioso tio Emídio, curiosa personagem das anedotas familiares, o mesmo Emídio Ribeiro Pratas, autor e intérprete, em 1917, da primeira comédia cinematográfica portuguesa ao estilo de Charlot? Que destino foi, afinal, o deste homem que teve uma vida absolutamente aventurosa? E porque terá sido votado ao esquecimento?", conta a editora.

Foi a procura de resposta para estas questões que levou Paulo M. Morais a uma busca pela história desta figura multifacetada e do papel que representou na vida dos seus contemporâneos e dos seus descendentes.

Neste livro, Paulo M. Morais explora os limites da ficção e da não-ficção, "conduzindo o leitor ao Portugal das primeiras décadas do século XX, entre a queda da Monarquia e o advento da Sétima Arte, numa viagem ao mesmo tempo intimista e coletiva, poética e documental".

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