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Correio da Manhã

Cultura
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Isabel Pantoja acusada de fuga ao Fisco

A popular cantora espanhola Isabel Pantoja foi detida na noite de quarta para quinta-feira no âmbito da chamada ‘Operação Malaya’, que combate uma rede de tráfico de influências, subornos, utilização danosa de dinheiro público, entre outros crimes. Fontes da defesa afirmam que Pantoja está “aturdida e destroçada”, dizendo “não perceber o que se está a passar”.
4 de Maio de 2007 às 00:00
Depois de passar a noite nos calabouços da Polícia Provincial de Málaga, a artista chegou ao Tribunal de Marbelha ao início da manhã (08h50 hora de Lisboa) e começou a ser interrogada horas depois pelo juiz instrutor do caso Malaya, Miguel Ángel Torres. Após quase três horas de interrogatório, Pantoja foi formalmente acusada dos crimes de fuga ao Fisco e branqueamento de capitais e ao fim da tarde saiu em liberdade depois de pagar a fiança de 90 mil euros imposta pelo juiz.
À chegada ao tribunal, a cantora era esperada por uma centena de jornalistas e curiosos, divididos entre apoiantes e críticos. Para estes últimos a actuação das autoridades é de saudar, os outros gritaram vivas à mulher considerada por muitos o símbolo máximo da música andaluza. Para evitar as atenções dos curiosos na altura da libertação, a artista deixou o edifício pela porta secundária e abandonou o local num carro negro e a grande velocidade.
Ao início do dia de ontem foram ainda detidos um agente da Bolsa, em Madrid, e no dia 1 de Maio tinham sido capturados Pedro Román, antigo responsável da Câmara de Marbelha, e a sua filha.
Recorde-se que em Julho do ano passado foi detido o companheiro de Pantoja, o ex-autarca de Marbelha Julián Muñoz, que desde Outubro de 2006 cumpre pena de prisão de um ano por ter licenciado obras numa zona protegida, em 1999.
A ‘Operação Malaya’ foi desencadeada a 29 de Março de 2006, dia em que foram presos a então presidente da Câmara de Marbelha, Marisol Yagüe, e uma vintena de vereadores, funcionários, empresários e advogados. Foram ainda apreendidos em Málaga, Madrid e Murcia bens no valor de 2400 milhões de euros.
PERFIL
María Isabel Pantoja Martín nasceu a 2 de Agosto de 1956 em Sevilha. Filha de um letrista de fandangos e de uma apaixonada da dança, começou a cantar em público aos seis anos, no grupo de flamenco do primo Chiquetete. Em 1975 gravou o primeiro disco a solo e em 1990 protagonizou o filme ‘Yo Soy Ésa’, um dos mais populares de sempre em Espanha. É considerada a máxima representante viva do canto popular andaluz.
OUTROS IMPLICADOS
MUÑOZ
Julián Muñoz, companheiro de Pantoja, presidiu à Câmara de Marbelha entre 2002 e 2003. Foi detido em 2006 e condenado a um ano de prisão e oito de inabilitação para cargo público por ter licenciado obras em zona protegida, em 1999.
MARISOL
A presidente da Câmara de Marbelha, Marisol Yagüe, foi detida em 2006 e acusada de corrupção. Em Abril ficou presa sem direito a fiança, mas cinco meses depois saiu em liberdade depois de pagar 60 mil euros de fiança.
JESÚS GIL
A corrupção na Câmara de Marbelha, envolvendo autarcas, não é de agora. O já falecido Jesús Gil y Gil presidiu à Câmara da localidade e foi encarcerado por duas vezes durante os 11 anos do seu mandato (1991-2002).
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