<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">O jornalista João Malheiro acaba de publicar o seu romance de estreia, 'C*** d'Aço', que lançará no próximo domingo no âmbito da Feira do Livro de Lisboa. Pretexto para uma conversa em torno da escrita, do 25 de abril e da prostituição.
Correio da Manhã – Há muito que planeava a estreia na ficção, ou este romance foi fruto do acaso?
João Malheiro – Na realidade, há muito tempo que vinha sendo convidado pela minha editora [a Quidnovi] para fazer uma incursão no domínio da ficção. Confesso que hesitei bastante durante anos, mas a determinada altura achei que, para quem já tinha escrito 19 livros, fazia sentido tentar algo num domínio novo.
- É daqueles que guarda poemas, contos e romances na gaveta?
- Não. Confesso que escrevo, diariamente, mas tudo o que escrevo é para publicar. Não guardo o que faço, a menos que não reúna os predicados mínimos de qualidade. Para mim, a escrita é um exercício de vontade imediata. Se não gostar, rasgo, deito para o lixo.
- Que história conta este romance, que tem um título tão provocatório?
- A ação do romance decorre numa terra que ficcionei, a norte do País, e corresponde à minha vivência da puberdade e adolescência. A trama decorre no período que vai de 1972 a 1976. Não é uma escolha inocente. Pretendi apanhar nesse período a agonia do regime ditatorial, a libertação do 25 de abril e os dois anos que se lhe seguiram, a atmosfera revolucionária e também contra-revolucionária que fracturou o País. Eu era muito miúdo, mas por razões familiares atravessei esse período com olhos de ver. Cresci mais rapidamente do que devia, matando o menino que existia em mim. Tornei-me precocemente adulto nessa altura.
- Mas para além da componente política, há uma história de amor?
- Há mais do que uma. Há várias, com duas intrigas amorosas dominantes. O amor não escolhe regimes políticos…
- Porquê a escolha de um título tão sugestivo, para um romance que não é erótico?
- Compreendo que o título seja, não direi chocante, mas que possa criar algumas reservas mentais. Sou daqueles que pensam que um título comum, trivial, não mexe com as pessoas. Voluntariamente, adotei um título controverso. E que vai, provavelmente, gerar alguns dissabores e alguns comentários menos abonatórios. Mas quando parti para o romance, já tinha o título. A figura que o inspira é uma das personagens centrais da obra. E o facto de a sociedade portuguesa ser, na minha opinião, tão extraordinariamente hipócrita, contribuiu para que não hesitasse na escolha do título.
- Quem é a senhora do título?
- Uma prostituta, dona do principal cabaret da terra. Chama-se Rosa Modesta, é senhora de uma personalidade muito vincada e responsável pela iniciação sexual de dezenas ou centenas de jovens da terra. Daí o nome. Mas o livro não pretende ser uma crítica às prostitutas. Sou contra a prostituição, mas admiro algumas prostitutas e acho que há mulheres, não prostitutas, mais prostitutas do que as prostitutas.
- Então qual o núcleo principal da ação?
- O enredo gravita em torno de duas comunidades estudantis: uma do ensino secundário; outra do ensino superior. É um romance para leitura jovem, protagonizado por jovens com um espírito transformista e de revolta. Claro que há um certo traço autobiográfico no livro... Há uma personagem que é quase o João Malheiro.
- Destina, portanto, o livro aos leitores mais jovens?
- Gostaria que os mais jovens o lessem, sim. É uma leitura que me parece interessante para pessoas que não tenham vivido o 25 de abril. Mas é evidente que, com toda a modéstia, o recomendo a todas as gerações. Tem, para além do mais, prefácio do maestro António Victorino d’Almeida e textos do Mário Zambujal (na minha opinião um senhor escritor, um dos mais brilhantes operários das letras em Portugal), do José Manuel Mendes, presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, e do José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores. Textos que muito me honram.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.