O artista plástico João Queiroz, um dos dois premiados pela Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), declarou esta quinta-feira que a crise económica do país "é gravíssima no sector e afecta muito os artistas, sobretudo os mais jovens".
João Queiroz, 55 anos, foi distinguido na quarta-feira, na área das artes plásticas, pelo júri da 31ª edição dos Prémios AICA/SEC/Millennium BCP, que galardoou também Miguel Figueira, 43 anos, na área da arquitectura.
Contactado pela agência Lusa, João Queiroz manifestou contentamento pela distinção, "porque se trata de um prémio de grande prestígio, com uma vasta lista de premiados conceituados".
Os prémios, referentes ao ano anterior à atribuição, são entregues a duas personalidades cujo percurso profissional "seja considerado relevante pela crítica e cujo trabalho tenha estado particularmente em foco no ano a que diga respeito".
Com um valor pecuniário global de 20 mil euros, partilhados em partes iguais pelos galardoados, os Prémios AICA foram instituídos há trinta anos para distinguir anualmente criadores das áreas das artes plásticas e da arquitectura.
Na justificação, o júri realçou a exposição antológica que João Queiroz apresentou entre Outubro de 2010 e Janeiro de 2011 na Culturgest, intitulada "Silvae", considerando-a "a plena confirmação de um dos percursos mais singulares e consistentes do panorama da arte contemporânea portuguesa das últimas duas décadas".
Sobre o prémio, João Queiroz salientou ainda que, "além do prestígio e do reconhecimento do trabalho, é uma ajuda para continuar", numa altura em que a crise económica do país "está a ter um impacto gravíssimo no sector da arte".
"No mercado em geral a situação é má, mas no da arte a crise é gravíssima e afecta muito os artistas, sobretudo os mais jovens, que estão a começar a carreira", avaliou.
No entanto, para o artista, nascido em Lisboa e a desenvolver a actividade no desenho e na pintura desde os anos 1980, "é essencial continuar a produzir e a reflectir sobre a realidade, porque é um acrescentar de conhecimento no mundo".
Na exposição 'Silvae', primeira antológica, João Queiroz apresentou cerca de duzentas obras criadas nos últimos vinte anos provenientes de colecções públicas e privadas e também do próprio artista.
João Queiroz passou a tomar o género da paisagem como quadro de referência do seu trabalho a partir de finais dos anos 1990, radicalizando a investigação sobre a pintura e o desenho como campos de construção de novos modos de percepção e de conhecimento.
O júri desta edição dos Prémios AICA foi constituído por Raquel Henriques da Silva, Sérgio Mah, Jorge Figueira, Diogo Seixas Lopes e Delfim Sardo e a decisão foi tomada por unanimidade.
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