A “top model” holandesa Karen Mulder encontrava-se ontem internada no Hospital Americano, em Neully, nos arredores de Paris, após ter tentado suicidar-se com comprimidos, noticiou a Imprensa britânica, francesa e alemã.
Karen, de 34 anos, sofre há anos de depressão crónica e foi encontrada inanimada, no apartamento de uns amigos na capital francesa, pelo namorado, Jean-Yves de Fur. Ao que parece, após ter feito várias tentativas para falar ao telefone com a namorada, Le Fur deslocou-se ao apartamento onde a modelo estava a morar, situado na luxuosa Avenue Montaigne, onde a encontrou já em coma.
De acordo com informações médicas, caso não tivesse sido salva, Karen estaria morta dali a uma hora.
“Jamais esquecerei aquele momento”, declarou Jean-Yves le Fur à revista alemã “Bunte”, acrescentando: “Ela estava deitada no chão inconsciente. Chamei a ambulância e os médicos, mas estes não conseguiram reanimá-la no local antes de a transportar para o hospital”. Aí, só após bastante tempo é que a equipa médica conseguiu reanimar a modelo que está agora fora a de perigo.
solidão
As razões que, alegadamente, poderão ter levado a “top model” a tentar matar-se, são por enquanto desconhecidas até pela ausência de qualquer bilhete no local.
Segundo declarações de um amigo ao “Daily Mirror”, “Karen decidiu realmente pôr termo à sua vida. Tomou comprimidos a mais e não deixou qualquer bilhete. Apenas decidiu partir. Ainda que mesmo à justa, ela foi salva”.
Outro amigo também citado pelo mesmo jornal, referiu que a modelo “já saiu do coma” e que “vai viver”. “Todavia”, acrescentou, “está psicologicamente muito fraca. Ela tem tudo: dinheiro, fama e beleza. Mas está desesperadamente sozinha”.
Na sua terra natal, Voorburg, onde ainda vive a família, o clima é de consternação. “Rezamos para que ela recupere totalmente e parece que vai necessitar de tratamento a longo prazo”, comentou um amigo de infância. “Há 20 anos, ela era apenas uma estudante normal e doce de uma pequena cidade holandesa”, acrescentou.
“A LOIRA COM CLASSE”
Apelidada no mundo da moda como “a loira com classe”, e em tempos dada como namorada do príncipe Alberto do Mónaco, Karen Mulder entrou no circuito aos 17 anos depois dos pais a terem pressionado a concorrer ao “Look of the Year”, da agência Elite, evento que ganhou. Não demorou muito até começar a desfilar as propostas dos maiores estilistas e a partilhar o “glamour” das “passerelles” com as já conhecidas Kate Moss e Cindy Crawford.
Como na moda nem tudo o luz é ouro, apesar de ganhar cerca de 15 mil euros por dia e de ter conseguido amealhar perto de 15 milhões, Karen confessava-se perseguida por “demónios interiores” e decide retirar-se em 2000.
Um ano depois, durante a gravação, ao vivo, de programa televisivo que, aliás, nunca chegou a ser emitido, confessou que fora violada repetidamente por “patrões” de agências de modelos e outras pessoas ligadas à moda, dizendo ainda que era a reincarnação de um soldado nazi.
Após estas declarações, Karen saiu a correr do estúdio chorando compulsivamente. Le Fur acabou por interná-la numa clínica psiquiátrica onde ela se manteve durante três meses, desculpando-se mais tarde pelas declarações explosivas que fizera.
Na altura, Ben Mulder, pai da modelo, garantiu que a vida da filha fora “arruinada pela cocaína” e por ter tido consciência de que a sua carreira como modelo “estava acabada”. “Ela está fisica e emocionalmente despedaçada”, comentou.
Depois de, no início deste ano, ter dito que conseguira “banir os seus demónios interiores”, Karen Mulder lançou-se na música com o single “I Am What I Am”, clássico imortalizado por Gloria Gaynor.
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