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Lauryn Hill brilha em concerto acidentado

A expectativa era grande e demorou a passar a realidade: Lauryn Hill, a diva da soul e do hip-hop, subiu ao palco da Praça do Comércio, em Lisboa, já pelas 01h00 deste domingo, mais de uma hora depois do início previsto.

01 de agosto de 2010 às 12:57

O arranque do Festival dos Oceanos encheu o Terreiro do Paço, mas os milhares de pessoas que quiseram ver a actuação gratuita provaram que a organização não estava preparada para a enchente: além de problemas de segurança (houve garrafas de vidro a circular pela praça), o evento ficou marcado por problemas técnicos e Lauryn Hill ressentiu-se deles.

De chapéu castanho, tranças longas e maquilhagem negra nos olhos, a ex-vocalista dos The Fugees fez a festa, mas várias vezes pediu para controlar a ressonância do seu microfone. De voz mais áspera do que na altura em que lançou o seu multipremiado disco ‘The Miseducation of Lauryn Hill’ (1998), a norte-americana conseguiu, mesmo assim, passar emoção e deu um espectáculo tocante, perante uma plateia em delírio e receptiva às novas tonalidades que a artista deu aos seus grandes êxitos.

Apesar da hora tardia, a energia foi contagiante desde o início, com um arranque que passou por ‘Lost Ones’, ‘X-Factor’ (numa versão muito mais agressiva) e ‘When It Hurts So Bad’.

ÂNIMOS EXALTADOS

No entanto, os percalços continuaram: ao fim do primeiro medley de canções, Lauryn Hill mostrou-se preocupada com tumultos nas filas da frente e pediu à segurança para intervir: “Parem já com isso, há mulheres na plateia!”, exclamou.

Com os ânimos mais calmos, a actuação prosseguiu com muitos elogios a Lisboa. A artista, que revelou algum cansaço vocal, ainda conseguiu mostrar que é capaz de chegar às notas mais elevadas, nomeadamente num dos temas mais interessantes da noite: ‘Forgive Them Father’.

A actuação melhorou ainda mais quando Lauryn Hill se entregou às memórias dos The Fugees: entregou-se como poucas em ‘Fu-Gee-La’, ‘Ready or Not’ e numa possante versão de ‘Killing Me Softly’, que a cantora fez questão de dedicar aos presentes.

Entre a doçura da soul sofrida e a agressividade do hip hop inteligente, a norte-americana mostrou por que merece ser tida em conta quando se fala da grande música negra do final dos anos 90. Mais provas disso? O óptimo encore com ‘Turn Your Lights Down Low’, a lembrar Bob Marley, e ‘Doop Wop (That Thing)’.

Antes, Seda e Estelle já tinham ajudado a animar a multidão.

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