A bela actriz francesa oscila entre filmes tipicamente franceses, como ‘Adeus, Minha Rainha’, acabado de estrear em Portugal, e grandes produções como ‘Mistérios de Lisboa’ ou, nos Estados Unidos, ‘Sacanas Sem Lei’, ‘Robin dos Bosques’, ‘Meia-Noite em Paris’ ou ‘Missão Impossível: Operação Fantasma’. Falámos com ela no Festival de Cinema de Berlim.
Correio da Manhã - Sentiu-se confortável a usar aqueles vestidos de época?
Léa Seydoux - De princípio não foi fácil, pois usava o mesmo vestido todos os dias, mas depois habituei-me.
- Mas a Léa já participou em alguns filmes de época, sendo que um deles foi ‘Mistérios de Lisboa’...
- O filme do Raoul Ruiz? Sim, é verdade. E fiz outros também, mas os que uso do filme foram desenhados por um grande estilista, o Christian Gasque. É muito famoso em França.
- A sua personagem tem uma obsessão pela Rainha Antonieta (Diena Kruger). Como explica isso? Um pouco como as celebridades de hoje?
- Acho que é isso mesmo. Ela vê-a como uma deusa.
- Chega quase ao exagero...
- Sim, é como uma doença. É quase como ser viciada na paixão. O que eu gosto no filme é que se vê os dois lados de Versalhes.
- Até que ponto é conhecida em França este lado sáfico de Maria Antonieta?
- Eu não tinha uma visão do que ela era. Mas Benôit é quem mostra mais esse lado lesbo.
- Mas na escola presumo que esse lado não fosse muito debatido...
- Não, aprendíamos mais sobre ela em relação à Revolução Francesa.
- Até que ponto é verdadeiro esse desejo por mulheres?
- Sim, era verdadeiro. Ninguém sequer o questiona. Vi algumas gravuras da época e vemos Maria Antonieta com Gabrielle de Polignac (Virginie Ledoyen) em posições estranhas... E era alvo de alguns comentários. Ela estava mesmo obcecada por ela. E sabe-se isso porque em Versalhes tudo ficava registado.
- Foi complicado para si tirar as roupas naquelas cenas mais íntimas?
- Nunca me sinto confortável quando estou nua (risos). Eu sei que sou uma actriz e que tenho de mostrar a realidade. Mas confesso que não gosto muito de ficar nua. Em todo o caso, na minha ideia de cinema a realidade pode passar também por tirar a roupa numa cena.
- A Léa tem uma carreira em França, mas também fora de França. Como é que gere isso tudo?
- Eu vejo o cinema como uma linguagem global. Já filmei fora de França com Tarantino, Woody Allen, Amos Gitar, Jessica Hausner... Gosto de trabalhar nos Estados Unidos e em outros países.
- Mas como é que reage quando Quentin Tarantino ou Woody Allen lhe oferecem papéis?
- Com o Tarantino foi um papel muito pequeno... Mas óptimo. Estava muito envergonhada quando o conheci. Na América, as personagens são mais fortes e expressivas, enquanto em França são mais intimistas.
- No entanto, a Léa sempre esteve ligada ao cinema através dos seus avôs, presidentes, respectivamente, da Pathé e da Gaumont. Quando era muito jovem tinha essa consciência de estar ligada ao cinema?
- Não, nada. O meu avô é produtor, e a minha mãe também já trabalhou como produtora. Mas não era nada que fosse muito discutido lá em casa.
- Sempre vai fazer a adaptação do livro de Boris Vian, ‘A Espuma dos Dias’, com o Michel Gondry?
- A verdade é que poderá não acontecer porque tenho um compromisso com o Abdelatif Kechiche e não deverei participar. Temos ambos imensa pena.
- E do que trata o projeto de Kechiche?
- É uma história de amor entre duas mulheres.
- Algo a que já está habituada...
- (risos) É verdade. Sim, mas é muito mais complexa. Decorrem em França hoje em dia. A outra actriz tem apenas 19 anos, mas ficará muito famosa. Chama-se Adèle Exarchopoulos. Estou muito entusiasmada para começar a filmar.
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