<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">Henrique Portugal tinha apenas 18 anos quando, ao manipular uma granada, ficou cego, perdeu a mão direita e ficou com défice auditivo. No mesmo acidente, ocorrido em Angola, perderia o seu único irmão. Agora, 46 anos volvidos sobre o incidente que lhe mudou a vida de forma tão dramática, decidiu escrever um livro. ‘No Ver está a Diferença' é um lançamento da Prime Books e, mais do que uma lição de vida, é um manual indispensável para entender o que é ser invisual na nossa sociedade.
Correio da Manhã - Quando é que começou a planear esta obra?
Henrique Portugal - Comecei a preparar textos em 2001 e 2002. Textos em que partilhava as várias situações da vida dos cegos e dos deficientes, a partir de episódios da vida real, que vivi ou que me foram contados. Fui-lhes juntando conselhos, opiniões. Acabou por resultar quase num manual. Um guia acerca da forma de lidar com pessoas com deficiência.
- De 2001 até 2013 vai algum tempo...
- Inicialmente nem pensava na possibilidade de publicar. Mas as histórias foram-se juntando. No ano passado, em julho, fiz a compilação em sete meses.
- Ironicamente, este livro não tem edição em braile?
- Tem e não tem. Este livrinho de pouco mais de 130 páginas, se fosse convertido em braile teria três volumes de folhas A4, com 70 folhas cada volume. Seria demasiado grande. Mas não deixarei que o passar para braile se alguém mo pedir. Aliás, transcrevi para braile alguns exemplares, e quem quiser ou tiver interesse, pode encomendar. Também será possível facultá-lo em suporte digital.
- O seu acidente não o impediu de ter uma vida tão normal quanto possível. Aos 65 anos, não se transformou numa pessoa amarga?
- Todos nós, perante determinadas situações, tomamos decisões, muitas vezes até inesperadas. Eu aceitei o que me aconteceu e fui em frente. Se desse cabeçadas na parede, seria pior. Ficaria com dores de cabeça, teria de reparar a parede... e o problema não desaparecia.
- Foi professor de português e história, foi monitor de cegos. Essa experiência também foi importante para este livro?
- Sim. Fui professor durante 36 anos. Comecei por trabalhar com gente cega, mas quando vim para Portugal acabei o curso que tinha começado em Luanda e leccionei desde o ciclo até ao ensino secundário. A minha área de formação é História, mas também ensinei português. Ao longo dos anos, conheci muitos alunos que me contaram muitas histórias. E que me ensinaram muito.
- A quem dedica este livro?
- A toda a gente. Desde logo aos próprios deficientes, que merecem ser tratados como pessoas. Com dignidade. Sem comiseração. Todos nós somos diferentes uns dos outros. Com ou sem deficiência. Os deficientes, ou as suas famílias, não devem sentir vergonha. Mas também não se devem escudar na deficiência para não enfrentarem os desafios da vida e fazerem o melhor que puderem.
- Onde é que os leitores interessados podem adquirir o seu livro?
- Através do meu endereço eletrónico (Henrique.Portugal.Moreira@gmail.com) ou da Associação Promotora do Ensino dos Cegos - APEC (tel. 21 388 78 33)
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