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‘Lobo mau’ pisca o olho à saga ‘Crepúsculo’

A versão mais famosa da história é a contada pelos irmãos Grimm, mas agora chegou a hora do clássico ‘O Capuchinho Vermelho’ amadurecer, ganhar uma carga especialmente negra e aderir à moda do fantástico formatado para adolescentes. ‘A Rapariga do Capuz Vermelho’, que se estreia esta quinta-feira nas salas nacionais, pisca o olho ao universo romântico da saga ‘Crepúsculo’, o que limita uma versão de um conto com grande potencial.

14 de abril de 2011 às 00:30

Copiar uma fómula já diversas vezes testada só compromete e o que é certo é que esta produção nem teve o sucesso junto do público que se esperava, nem conquistou os louvores da crítica.

Não que o filme não tenha os seus trunfos: o espírito medieval é competente, a fotografia cuidada, há reviravoltas q.b. que impedem a monotonia e a veterana Julie Christie dá um ar da sua graça (e parece divertir-se com isso...).

Será que chega? Para os adeptos da fantasia crispada, dos triângulos amorosos açucarados, dos lobos digitalmente reconstituídos, sim. Para os outros nem por isso.

Cabe à estrela de ‘Mamma Mia!’, Amanda Seyfried, o protagonismo. Ela é a filha mais velha de um casal residente numa pequena comunidade medieval, que a quer impingir a um ferrador rico (Max Irons) em vez do lenhador órfão (Shiloh Fernandez), a verdadeira paixão da rapariga desde a infância.

No entanto, neste tempo de maldições, todos temem as noites de lua cheia, pelos motivos do costume: um lobo – que é de dia um ser humano! – ataca a população e promete não parar até alcançar o seu objectivo: instalar o medo.

Entre o triângulo amoroso central, as intrigas familiares pouco desenvolvidas e os ataques do célebre lobo, ‘A Rapariga do Capuz Vermelho’ ganha forma e afasta-se do conto infantil. Quer ter espessura, mas cede à caricatura. Quer meter medo, mas não convence. Quer trazer ao de cima o melhor do tom neogótico de Tim Burton, mas apenas se fica pelo suspense controlado e o ímpeto forçado de Catherine Hardwicke.

A realizadora não foi escolhida por acaso: é ela a responsável pelo lançamento da saga ‘Crepúsculo’, mas não conseguiu amplificar o ‘hype’ com a história que até inclui a célebre charada: "Avozinha por que é que tens umas orelhas tão grandes? É para te ouvir melhor."

Aliás, são nestas alusões que o filme compensa a espaços: se é certo que Gary Oldman é exagerado na composição do justiceiro vilão que sonha em matar o lobo, a sua entrada em cena também faz lembrar outros tempos. Verdadeiramente negros. Os de ‘Drácula’, segundo Francis Ford Coppola.

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