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Mais de trinta filmes portugueses em outubro no festival Doclisboa

De 15 a 25 de outubro, serão 198 filmes de 51 países, entre os quais 32 filmes portugueses, "atravessando geografias, gerações e diferentes formas de fazer e pensar o cinema".

21 de setembro de 2026 às 12:28

O festival de cinema Doclisboa, em outubro, vai ter 32 filmes portugueses, entre os quais "Guerrilha no Asfalto", de Edgar Pêra, na abertura, e "13 Alfinetes", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, na competição internacional.

A programação completa foi hoje desvendada, em Lisboa, com a direção a sublinhar a presença de obras de nomes como Denis Cotê, Avi Mograbi, Jia Zhangke, Mariano Llinás e do cineasta francês Alain Cavalier, este com o filme "Thanks for Coming", uma espécie de despedida aos 95 anos, no encerramento do festival.

De 15 a 25 de outubro, serão 198 filmes de 51 países, entre os quais 32 filmes portugueses, "atravessando geografias, gerações e diferentes formas de fazer e pensar o cinema".

Na competição internacional está "13 Alfinetes", filme que João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata fizeram sob encomenda da BoCA -- Bienal de Artes Contemporâneas, convocando o mito de Santo António e a pintura de Goya. Foi rodado em Lisboa e em Madrid, em formato IMAX com direção de fotografia de Rui Poças.

A competição portuguesa inclui 11 filmes, curtas e longas-metragens, todas elas em estreia mundial, como "Povo e Poder", de Ico Costa, que retrata Moçambique nas eleições presidenciais de 2024, o filme ensaio "A casa é a ruína de uma casa", de Inês Sapeta Dias, e "A voz de todos -- Jornal do Fundão", de Manuel Mozos.

Segundo o festival, a secção competitiva apresenta "uma selecção de extraordinária sofisticação e diversidade estética e agudez política".

Já exibido em Locarno, "Guerrilha no Asfalto", de Edgar Pêra, que parte do livro homónimo de Manuel Ricardo Sousa sobre as FP-25 e mistura as memórias do realizador sobre os anos 1980, abrirá o Doclisboa.

A direção do festival destaca ainda, entre outros, "Life of Jorge Luis Borges", de Mariano Llinás, sobre o universo literário do escritor argentino, a ficção "Nobody's Violence", de Denis Côté, e a coprodução luso-francesa "Wild Asparagus", do israelita Avi Mograbi, que vive em Portugal.

Em Lisboa vão estar a cineasta alemã Monica Maurer e a francesa Aude Fourel, tendo como foco a Palestina. A primeira "dedicou grande parte da sua vida a documentar a luta palestiniana", enquanto a segunda "filmou-a a trabalhar com os seus arquivos".

O festival já tinha anunciado previamente parte substancial da programação, como os filmes "Knife: The attempted murder of Salman Rushdie", de Alex Gibney, "Elza", de Eryk Rocha, sobre a cantora brasileira Elza Soares, e o primeiro filme da atriz Juliette Binoche enquanto realizadora, "In-I in Motion", sobre a sua colaboração com o bailarino e coreógrafo Akram Khan.

Também vão estar no Doclisboa "Neste Quarto", em que Ana Rocha de Sousa segue a fadista Carminho em digressão pelo Japão, "Esta Vida de Marinheiro", de Paulo Miguel Antunes, que relembra o percurso do músico João Aguardela, e "Carta a uma jovem escritora", de Marta Pessoa, sobre as autoras Olga Gonçalves, Graça Pina de Morais, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio e Maria Amélia Neto.

O cineasta chileno Patricio Guzmán, que era considerado pelos seus pares um mestre do cinema documental e que morreu na semana passada em Paris, aos 85 anos, vai ser lembrado pelo Doclisboa com o último filme, "Mi país imaginário", inédito em Portugal.

O 24.º Doclisboa está marcado de 15 a 25 de outubro na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, onde é esperada uma performance, no âmbito da retrospetiva dedicada ao cineasta filipino Lino Brocka (1939--1991).

Apresentada em parceria com a Cinemateca Portuguesa, esta retrospetiva, dedicada a uma "figura maior do cinema filipino e um dos realizadores mais influentes da história do cinema asiático", tem curadoria do artista e cineasta Khavn de la Cruz, com as equipas de programação do festival e da Cinemateca.

Anunciada em junho, a retrospetiva "Lino Brocka -- Matem o Artista Nacional" é, segundo os organizadores, uma das mais extensas mostras dedicadas ao realizador de filmes como "Jaguar", "This Is My Country" e "Insiang" ("O Lírio de Manila"), primeiro do cineasta selecionado para Cannes e, durante décadas, o único estreado no circuito comercial português.

O Festival Internacional de Cinema DocLisboa é organizado pela Apordoc - Associação pelo Documentário.

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