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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Máquina lírica

O ‘Machine Lyrique’ é o título do mais recente projecto que Anabela Duarte, ex-vocalista dos ‘Mler Ife Dada’, grupo de vanguarda dos anos 80, apresenta sexta-feira, no pequeno auditório do Theatro Circo, em Braga.

24 de setembro de 2007 às 00:00

Ao lado do pianista Ian Mikirtoumov e do contrabaixista Romeu Santos, a intérprete, que se destaca pela versatilidade e ecletismo que imprime aos seus trabalhos, seleccionou temas de Kurt Weill e Boris Vian para, através de performances originalmente expressivas e repletas de humor, dar origem a um trabalho que facilmente remete o ouvinte para as sonoridades dos clubes de jazz nova-iorquinos.

‘Valse Carrée’, ‘J’suis Snob’ e ‘Le desérteur’, de Boris Vian, ou ‘September Song’, ‘Speak Low’, ‘Rock and Roll Mops’ e ‘Sing me not a Ballad’, de Kurt Weill, são alguns dos temas que a compositora, intérprete, performer e produtora Anabela Duarte reinventa nas suas sempre surpreendentes e inovadoras actuações ao vivo.

“Este concerto apresenta canções possíveis e impossíveis”, destaca Anabela Duarte, explicando que são “canções possíveis, porque fizeram parte do mainstream do século XX, e canções impossíveis, porque muitas delas não eram socialmente, nem politicamente, correctas”.

Da pop ao fado em versão eléctrica, do canto lírico à encenação acústica de poesia, Anabela Duarte revela em todas as suas performances, em que alia um talento inato a excepcionais qualidades vocais e performativas, as vantagens que claramente tem sabido retirar dos vastos estudos realizados na área de música, piano, canto, teatro e dança.

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