O polémico ‘anti-cristo’ tem novo disco. ‘The Golden Age Of Grotesque’ é o pretexto para uma nova metamorfose musical (e não só), como se poderá conferir no próximo dia 29, em Alvalade. Bem-vindos ao grotesco mundo de Marilyn Manson
- O que pretende transmitir em “The Golden Age Of Grotesque”?
- Tal como o título sugere, é um álbum sobre uma época em que a arte degenerativa volta a ser apreciada. É também um disco sobre relacionamentos. Quis transmitir as ideias de forma directa e simples e isso originou um som diferente. De certo modo, este disco é como se tivesse sido criado por uma criança ou um lunático... porque é inocente, honesto e imprudente. Nos discos anteriores, a música girava em torno de assuntos como a política ou a religião, mas neste álbum só a música interessa... é um disco muito mais pessoal, que reflecte a minha mente.
- Desta vez vai ficar afastado de temas polémicos como a política e a religião?
- Compreendi que a arte é, também, uma forma de religião. É na arte que acredito, é por ela que luto. Por isso, quis fazer um disco que falasse de arte e motivasse os outros a criarem. A inspiração surgiu do movimento expressionista alemão dos anos 30, em Berlim, quando se começou a pintar quadros de paisagens mentais. Passei o último ano a relembrar a minha infância para sentir a liberdade criativa que os miúdos têm. Fiz um disco com as ideias mais absurdas que tinha na cabeça. No que diz respeito à música, talvez isso tenha tornado as canções mais simples, não em termos comerciais mas a nível da compreensão.
- O que o atrai tanto nos anos 30, a ponto de servir como inspiração para o álbum?
- O ambiente decadente e criativo de Berlim e de Hollywood da época. O “vaudeville”, o burlesco, o “cabaret”. A arte transcendia o palco e a ficção. As pessoas vestiam-se e agiam como se estivessem num filme. Nessa altura vivia-se intensamente a vida, como se não houvesse amanhã. O teatro e o cinema grotesco tinham como objectivo distrair as pessoas do que estava a acontecer no Mundo, da guerra que estava a caminho. Ironicamente, a história repete-se e, este ano, o Mundo viveu uma situação idêntica. Não foi intencional... Há um ano, quando comecei a compor o disco, não imaginava que pudesse haver outra guerra.
- Quando Twiggy (viola-baixo) deixou a banda estava satisfeito com a sua contribuição?
- O Twiggy não ajudou a criar nada para este álbum. Afastou-se porque está noutra “onda”. Mas isso são coisas que só ele pode explicar. Estou orgulhoso do trabalho que fizémos juntos no passado. Nada pode apagar isso. Muita gente pensa que o som de Marilyn Manson não voltará a ser o mesmo depois da saída dele. É verdade, mas porque eu quis que não fosse igual. Na minha cabeça as coisas estão sempre a transformar-se.
- O que esperava de Tim Skold quando o escolheu para produzir o álbum?
- Comecei a trabalhar com ele na versão de “Tainted Love” e adorei a forma como ele trabalha com os ritmos, os “beats” e as programações. Como produtor, permitiu-me fazer muitas coisas que outros mais convencionais não deixariam, por serem incorrectas em termos técnicos. Mas ele permitiu-me experimentar muita coisa. Por outro lado, encorajou-me a não repetir algumas gravações para poder captar a energia do “momento”. Ele trouxe... a honestidade e a simplicidade dos primeiros tempos.
- Como é que os novos ritmos de Skold influenciaram as vozes?
- A abordagem rítmica neste álbum é totalmente diferente, o que constituiu um grande desafio para mim como compositor. O elemento rítmico, quer seja a nível da guitarra, da voz ou da bateria, é muito variado. As canções dos Marilyn Manson sempre tiveram uma marca rítmica muito específica, uma espécie de “swing”. Os temas “Beautiful People”,”Rock is Dead” ou “The Dope Show” são disso exemplo. Em “Grotesque” há uma canção, “Doll-Dagga-Buzz-Buzz Ziggety-Zag”, que tem um ritmo muito intenso a nível da voz e da bateria e que parece uma canção de uma “big band”.
- Como vão ser os espectáculos da digressão de “Grotesque”? Uma espécie de “freak show”?
- O “vaudeville”, o burlesco, o “cabaret”, o teatro do grotesco eram formas de entretenimento e inspiraram muito este espectáculo. Não estou a tentar criar um circo mas sim um grande espectáculo de entretenimento... é esse o propósito dos artistas. Ninguém vai ficar indiferente ao espectáculo. Uns vão odiar. Outros vão compreender a intenção e divertir-se.
Foi preciso esperar por 1996, e pelo álbum “Antichrist Superstar” para que Marilyn Manson saltasse para as primeiras páginas dos jornais. Antes, porém, já o ex-jornalista Brian Warner (de seu nome verdadeiro) causara algum brado, com “Portrait Of An American Family”, um trabalho pesado, cínico e corrosivo. Instrumentos de que nunca abdicou, não obstante as aproximações “glam” de “Mechanical Animals". (’98). Em 2000, o auto-intitulado “god of fuck” lança "Holy Wood (In The Shadow Of The Valley Of Death)", um álbum em que destila algum desencanto e recupera uma sonoridade mais gótica e industrial.
Três anos depois, Manson regressa e novas polémicas se avizinham.
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