"Quero ir embora tranquilamente... não quero anúncios públicos, nem velórios, nem nada", disse, antes da morte.
A meio-soprano madrilena Teresa Berganza, com uma extensa carreira musical internacional e docente, morreu aos 89 anos, confirmaram hoje fontes familiares.
Num comunicado enviado à comunicação social, a soprano Cecilia Lavilla, filha de Berganza, destacou que a meio-soprano, de fama internacional, despediu-se a cantar "Addio", de Rossini.
"Quero ir embora tranquilamente... não quero anúncios públicos, nem velórios, nem nada. Vim ao mundo e ninguém descobriu, por isso quero a mesma coisa quando sair", disse, antes da morte, Teresa Berganza.
Cecilia Lavilla salientou que toda a família respeita a sua vontade e que a sua homenagem "será para recordá-la em toda a sua plenitude e continuar a desfrutá-la através suas performances, para sempre lembrá-la".
Nascida em Madrid em 1933, e com um 'casticismo' de que sempre se vangloriou e que aplicava também à zarzuela, Berganza desfilava a sua voz pelo Scala de Milão, pela Ópera de Viena, pelo Covent Garden de Londres e pelo Metropolitan de Nova Iorque, entre outras salas de concerto e palcos de ópera.
Antes de escolher cantar, estudou piano, harmonia, música de câmara, composição, órgão e violoncelo no Conservatório de Madrid.
Foi académica de Belas Artes de San Fernando, a primeira mulher a entrar nessa instituição e, entre outros, ganhou o Prémio Nacional de Música e o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes (1991).
Formou-se no Conservatório da capital espanhola e ao terminar os estudos em música, solfejo, piano e canto, foi reconhecida com o prémio Lucrecia Arana, em 1954.
A sua primeira apresentação pública aconteceu em 1955, no Ateneu de Madrid, mas a sua grande estreia aconteceu dois anos depois no Festival de Aix-en-Provence (França).
O seu sucesso como Dorabella Mozartiana, de "Cosi fan tutte", foi retumbante e a imprensa elogiou-a como "a meio-soprano do século".
O papel de Carmen, na ópera homónima de Georges Bizet, que desempenhou no Festival de Edimburgo, na década de 1970, com o maestro Claudio Abbado, marcou decisivamente a sua carreira e a gravação do espetáculo permanece entre as mais recomendadas para esta obra.
Em 1989, após 14 anos de ausência, reapareceu no Teatro de la Zarzuela, em Madrid, onde alcançou um sucesso sem precedentes.
Outros momentos especiais em sua carreira artística foram as suas apresentações na cerimónia de abertura da Exposição Universal de Sevilha e nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.
Teresa Berganza, que já se apresentou junto com a filha Cecilia Lavilla em diversas ocasiões, passou a dedicar-se mais ao ensino de música no final da década de 1990.
A meio-soprano atuou dezenas de vezes em Portugal, quer no âmbito das temporadas de música da Fundação Calouste Gulbenkian, quer em festivais e encontros de música, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, como o antigo Festival dos Capuchos, o Festival de Música da Costa do Estoril, o Festival Internacional de Música de Coimbra e os Encontros de Música da Casa de Mateus, onde foi uma presença regular, até ao início dos anos 2000. Aqui ministrou igualmente diversas 'masterclasses'.
Entre as suas atuações em Portugal, destacam-se ainda as passagens pelo Teatro Nacional de São Carlos, como aconteceu em 1988, num recital com a participação do barítono português Jorge Chaminé, e num programa dedicado ao compositor espanhol Manuel de Falla, em 1996, com que abriu a edição desse ano do Festival da Costa do Estoril.
Em novembro de 1999, substituiu o tenor Alfredo Kraus, que tinha morrido em setembro, à frente da Cátedra de Canto da Escola de Música Rainha Sofia.
Em 2008, a cantora madrilena anunciou que a sua aposentação dos palcos.
O Teatro Real de Madrid, o Liceo de Barcelona, o Círculo de Bellas Artes da capital espanhola, a Fundação Princesa de Astúrias e a Ópera Estatal de Viena estão entre as entidades que hoje manifestaram pesar pela morte de Teresa Berganza.
O diretor do Teatro Real de Madrid, Joan Matabosch, disse à agência Efe que Teresa Berganza permanece uma das maiores cantoras da história da música, pela "maravilha que era a sua voz e pela sua técnica incrível", enquanto o diretor artístico do Liceo destacou a sua "musicalidade absoluta".
O Governo de Espanha, através do seu presidente, Pedro Sánchez, e o ministério espanhol da Cultura também lamentaram a norte da meio-soprano.
Teresa Berganza era casada com o músico Félix Lavilla e era mãe de três filhos.
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