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Morreu pintor português Benjamim Marques

O pintor português Benjamin Marques, 74 anos, morreu quinta-feira em Paris, na sequência de complicações de uma cirurgia ao coração realizada num hospital da cidade, disse fonte da Perve Galeria, de Lisboa.

20 de abril de 2012 às 18:27

De acordo com a mesma fonte, o pintor, que residia em Paris há mais de 50 anos, "faleceu de forma inesperada", depois de uma cirurgia realizada no Hospital Georges Pompidou.

A Perve Galeria recorda que o pintor, nascido em Lisboa, em 1938, tinha sido membro do ‘Grupo do Café-Gelo’, liderado por Mário Cesariny, que, nos anos 1960, sucedeu ao grupo ‘Os Surrealistas’.

Radicou-se em França devido à discordância com o regime político de Oliveira Salazar, que lhe retirou a nacionalidade, e naquele país, recorda a Galeria, "empreendeu um trajecto artístico de assinalável expressão, realizando em Paris inúmeras exposições que lhe valeram vários prémios".

Manifestando "grande pesar e consternação" pela morte do artista, a Perve Galeria assinala ainda que, em Setembro de 2010, acolheu a exposição intitulada ‘Cadavre-trop Exquis’, onde, com Isabel Meyrelles e Cruzeiro Seixas, Benjamin Marques apresentou um conjunto alargado de trabalhos individuais e colaborativos.

Benjamim Marques frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, e, posteriormente, em Paris, a Escola Nacional Superior de Belas Artes, a Escola do Louvre, e a Universidade Internacional do Teatro das Nações.

Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar pintura e História da Arte e, proposto por Almada Negreiros, estudou sob a direcção da pintora Maria Helena Vieira da Silva, que também viveu muitos anos em Paris.

Em Portugal, participou em 24 exposições colectivas e fez uma exposição individual no Casino Estoril. Foi comissário para exposições de arte em Nanterre, e director de cena do teatro para os imigrantes portugueses, na Casa da Cultura daquela cidade.

Naturalizado francês, depois de Salazar lhe ter retirado a nacionalidade portuguesa, só em Abril de 1974, após a Revolução dos Cravos, recuperou a nacionalidade de origem, e foi nomeado director do Teatro da Trindade, em Lisboa.

Regressou a Paris em Julho de 1976, onde trabalhou como director de arte da agência Havas, dirigindo a oficina de videografia e foi freelancer em videografia durante onze anos.

Em 1987, retomou a pintura e em 1998 representou oficialmente a França na Exposição Mundial de Lisboa, Expo98 com ‘21 Lettres de Vasco de Gama au roi D. Manuel Iº- 1498’, após a sua exposição na Galeria Dialogue, em Paris.

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