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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Morreu Rosa Lobato Faria (COM REACÇÕES/VÍDEO)

A actriz e escritora Rosa Lobato Faria morreu esta terça-feira em Lisboa aos 77 anos, adiantou fonte da família. A causa da morte não foi revelada, mas era público o seu internamento num hospital privado de Lisboa devido a uma grave anemia.

02 de fevereiro de 2010 às 17:36

Rosa Lobato Faria estava internada num hospital privado de Lisboa há mais de uma semana com uma grave anemia.

Nascida em Abril de 1932, Rosa Lobato Faria teve uma carreira repartida por várias áreas, entre a televisão, representação, a literatura, a poesia.

Estreou-se nos ecrãs da RTP na década de 1960, sendo a locutora de vários programas. A telenovela ‘Vila Faia' marcou a sua estreia como actriz, dando continuidade em ‘Origens'. Na televisão participou ainda nas novelas ‘Jardins Proibidos' ou ‘Ninguém como tu', e nas séries de humor ‘A minha sogra é uma bruxa' e ‘Humor de Perdição', onde esteve ao lado de Herman José.

No cinema, entrou nos filmes ‘Tráfico' (1988), e 'A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América' (2003), ambos do realizador João Botelho.

Com muitas letras para canções, algumas das quais para festivais da canção, Rosa Lobato Faria não temeu entrar no mundo da ficção e da poesia. Em 1995, estreou-se na escrita com o romance ‘O pranto de Lúcifer', e 1997 compilou em ‘Poemas Escolhidos e Dispersos', escritos desde a sua infância.  'O Prenúncio das Águas' (1999), galardoado com o Prémio Máximo da Literatura de 2000, ‘A trança de Inês' (2001), ‘O Sétimo véu' (2003), ‘A Alma trocada' (2007) e ‘As Esquinas do Tempo' (2008) são outros títulos da escritora publicados.

O corpo da escritora estará esta quarta-feira de manhã na Igreja de Santa Isabel, perto do Largo Rato em Lisboa, onde decorrerá uma missa às 15h00. Segue-se depois o funeral, em sítio a definir, mas será em Lisboa.

Herman José: 'A Rosa veio trabalhar comigo para o programa 'Humor de Perdição' da RTP, curiosamente com a mesma idade que eu tenho hoje: 55 anos. Conquistou-nos a todos com a sua alegria e a sua transbordante juventude, e na sequência da morte do Carlos Paião, acabou por ocupar o espaço deixado livre na autoria de versos humorísticos para os meus programas e canções. Escreveu a letra dos genéricos do 'Humor de Perdição', do 'Casino Royal', do 'Crime na Pensão Estrelinha', e de uma música de minha autoria que lhe dediquei no dia do seu 62º aniversário, e que deu origem à novela portuguesa 'Podia Acabar O Mundo'. Ganhámos uma cumplicidade e uma amizade inabaláveis, e confesso que foi com ela que aprendi os rigores da escrita rimada.'

Tózé Martinho: 'Vai fazer muita falta. Era uma excelente escritora. Era uma grande mulher. Quando trabalhava, trabalhava mesmo. Era aplicada e fascinante.'

Mário Zambujal: 'Era uma mulher de escrita fácil e com grande qualidade.'

Nuno Homem de Sá: 'A Rosa era uma senhora inqualificável, vai além das palavras. Era não só uma senhora impecável, como uma mãe extremosa e uma escritora única. Vai fazer falta aos nossos corações.'

Alice Vieira: 'É muito complicado, muito difícil pensar que morreu, porque era muito alegre e gostei imenso de trabalhar com ela.'

Cavaco Silva: "Rosa Lobato de Faria marcou decisivamente o nosso meio artístico e granjeou a justa admiração do público. Estou certo de que o seu nome ficará para sempre associado à televisão, ao cinema e à literatura das últimas décadas."

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