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Correio da Manhã

Cultura
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Mude o Mundo: Comece por Si!

O ocidental costuma confundir karma com dharma. Estes termos designam duas categorias de leis completamente diferentes. Para o hinduísmo, enquanto que karma é uma lei de causa e efeito, dharma é uma qualquer lei humana.
29 de Maio de 2006 às 00:00
Karma significa acção e é uma lei natural, como a lei da gravidade. Esta é a visão que o Yôga mais antigo tem do karma. Muito mais tarde, o conceito de karma é importado pelo Ocidente e cristianizado, ou seja, é feita uma releitura com base nos princípios cristãos de culpa e pecado. Karma deixa de ser uma lei que está fora e além do bem e do mal, para tornar-se algo com conotação negativa, que deve pagar-se com sofrimento.
A palavra dharma significa lei e refere-se a qualquer lei humana: lei jurídica, regulamento de um clube ou condomínio, norma religiosa, etc. Inclusive, o termo dharma também pode ser usado, por extensão, com o significado de religião. Assim, dharma é uma lei humana e karma, uma lei universal. Dharma está sujeita ao tempo e ao espaço, enquanto que karma está além do tempo e do espaço.
O dharma é uma lei moral, pois depende das normas e costumes de determinado país, região, cidade, grupo cultural e de uma determinada época. Mudando o tempo ou mudando o lugar, as regras mudam.
karma é apenas uma lei de causa e efeito, do género "cuspiu pra cima, vai receber uma cuspidela no rosto". A pura lei do karma é simplesmente mecânica e não espiritual. Nem sequer moral. Não depende de fundamentação centrada na crença da reencarnação ou até mesmo teísta. Refere-se a um mecanismo da própria natureza. Uma espécie de lei da gravidade muito distante do fatalismo que lhe atribuímos.
Se conhecermos os mecanismos que regem o dharma e o karma, teremos quase total domínio sobre a nossa vida e o nosso destino. Aliás, podemos definir karma como um destino maleável, que modificamos a cada minuto em virtude das nossas acções, palavras e pensamentos. Estamos o tempo todo a tecer o nosso futuro imediato e distante.
Tudo o que fazemos, falamos, sentimos ou pensamos gera karma. A questão é saber como ir substituindo um karma que produza resultados inconvenientes por outro que cause consequências desejáveis.
O karma divide-se em três tipos: passivo, potencial e manifestado. Temos absoluto domínio sobre os dois primeiros. Essa é uma boa notícia. Nunca imaginou que teria controle total sobre dois terços do seu destino! Existe uma parábola que ilustra isso muito bem. O ser humano e o seu karma são como o arqueiro com as suas flechas. Na primeira etapa, as flechas estão pousadas passivamente na aljava. Esse momento representa o karma passivo, com o qual pode fazer o que bem entender. Na segunda etapa, o arqueiro saca uma das flechas, coloca-a no arco e tensiona-o. Ele pôs em estado de alerta uma energia potencial, mas ainda tem completo domínio, pois poderá conferir mais ou menos tensão ao arco, poderá atirar nesta ou naquela direcção e, ainda, poderá desistir de lançar a flecha e guardá-la novamente no coldre. A terceira etapa, é quando o arqueiro solta a flecha. Aí não dá para voltar atrás, não é possível correr, alcançar a flecha e fazê-la parar. Nesse caso, não há como impedir que toda uma sucessão de consequências se desencadeie. Somente sobre esta última forma de karma você não terá domínio.
MUDAR O KARMA É FÁCIL
Por que um jovem que esteja insatisfeito com o curso continua nele? Por que não troca de formação? Por que um profissional insatisfeito com a profissão continua nela? Por que não muda de carreira?
Por uma única razão: medo. Medo de mudar. Medo do desconhecido. As pessoas não mudam de karma por medo. “Este casamento está mau, mas já estou habituado a ele. Os seus defeitos eu já conheço; outro, seria o desconhecido.” “Esta cidade não dá futuro, mas sempre vivi aqui. Bem ou mal, consigo arranjar-me. Noutra cidade, eu não sei como seria.”
A grande neurose do ser humano é o dilema que imobiliza e instala o pavor. O que fazer? Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come... mas se enfrentar, o bicho foge! O que você precisa é tomar uma decisão.
Mudar karma é uma coisa que se faz já ou nunca. Não é coisa que deixe para a próxima segunda-feira ou para o próximo Ano Novo. Molde o seu destino como bem entender.
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