Artur Varatojo. Ao 24º livro, insiste, "o cérebro do criminoso é o local do crime". Admira tanto uns quanto rejeita outros. Condena uns como outros mas não se fica pelas culpas e são as causas que fazem dele advogado em vez de inspector.
Correio da Manhã - Este é um livro sobre "contos do vigário"... Há um perfil comum a casos, vigaristas e vigarizados?
Artur Varatojo - Há com efeito e deixe que lhe diga que tenho muita admiração pelo vigarista intelectual, ou seja, aquele que prepara a trama toda, o que não quer dizer que o respeite e não o condene mas admiro... O perfil comum é o de um homem que concebe uma história para a aplicar num indivíduo que seja ganancioso e que pretenda, tal como ele, ganhar também algum dinheiro com alguma esperteza, acabando por ser vítima dela.
- Algum caso fora-de-série que recorde em particular?
Um que se adapta muito aos próprios jornais é o caso daqueles anúncios que estão sempre a aparecer: cavalheiro, divorciado e bem intencionado procura de senhora não muito nova para assunto sério... Ela responde e quando eles aparecem são pessoas extraordinárias, não se esquecem dos aniversários, das flores, dos bombons, de todos os mimos de que ela só vai ser vítima quando ele, ao fim de um tempo, começa a andar triste. Ela pergunta e quer saber e participar, afinal, "se vamos casar"... E então ele diz-lhe que acumulou uma dívida grande que tem de saldar ou gastou tudo o que tinha com um familiar em necessidade e, sem dinheiro, o melhor é desistirem! Mas como desistir de um homem tão extraordinário, tão amigo, que a ajudou tanto? É aqui que ela cai no "conto do noivado"...
- E as vigarices e os vigaristas são assim tantos ou estão todos neste livro?
Não, não! Eu só tenho 21 casos dos muitos que andam por aí... Uns são casos conhecidos, outros aparecem e outros há que vou descobrindo, consultando mas, destes 21, tenho a impressão de que o público vai gostar muito. Primeiro, porque só conhece alguns e depois, porque há sempre um toque de humor na forma como são descritos... Os portugueses são sempre mais tradicionais, menos originais.
- Um conto do vigário tipicamente português?
O do bilhete sempre premiado, o da carteira perdida e nunca devolvida a dividir por quem a encontrou, o da máquina de fazer notas mas o meu preferido está no livro porque me foi contado pelo próprio e porque foi de tal maneira bem organizado que não é possível, legalmente, apanhá-lo... Trata-se de um indivíduo que, uma vez em liberdade, hospeda-se numa pensão que paga antecipadamente e pede para, por momentos, deixar ficar as malas e um "Malhoa". Passado um par de horas surge um sujeito que fascinado pelo quadro, de imediato, oferece cinco contos de sinal, cartão de visita e a promessa de outros cem na concretização da venda... "Dou-lhe trinta contos por ele", arrisca o recepcionista e os lances vão subindo até aos 50. "Mas olhe que o quadro não é autêntico e o senhor escreve-me aí que o comprou sabendo da imitação que eu cá não quero chatices nem consigo nem com a velha tia a quem fiquei de comprar a moldura"... Dito e feito, claro, o potencial comprador não existia senão no cartão de visita!
- As suas histórias (verídicas) lembram as do (televisivo) Comissário Maigret para quem não bastava identificar os culpados mas também as causas da culpa. Concorda?
Um dia, numa entrevista disse uma coisa que responde à sua pergunta... Perguntaram-me, na altura, porquê que eu não gostava de ser inspector e eu repondi que era capaz de ter interesse em descobrir o criminoso mas assim que o tivesse diante de mim passava a ter pena dele, de maneira que não tinha jeito para ser polícia. O que mais me interessa é o estudo do cérebro do criminoso, esse é, para mim, o local do crime!
- "O crime não compensa", dizem... Será?
Eu acho que não... mas houve alguns indivíduos da penitência que me explicaram como é que podia compensar. Perante isso, gostava de acreditar que não compensa!
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