Ensaísta, várias vezes galardoado e distinguido, morreu esta terça-feira, aos 97 anos.
O ensaísta Eduardo Lourenço, morreu esta terça-feira, aos 97 anos.
Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa.
Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Baixa.
"O Labirinto da Saudade", "Fernando, Rei da Nossa Baviera", "Os Militares e o Poder" são algumas das suas principas obras.
Recebeu o Prémio Camões (1996), o Prémio Virgílio Ferreira (2001) e o Prémio Pessoa (2011).
Várias personalidades dos mais diversos setores da sociedade lamentaram já a morte de Eduardo Lourenço.
O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, manifestou "grande consternação" com a morte do ensaísta, considerando que foi "quem melhor refletiu a identidade nacional" e "sobre o que é ser português".
"Recebo, com grande consternação, a notícia do falecimento de Eduardo Lourenço, aos 97 anos. Eduardo Lourenço foi, sem dúvida, quem melhor refletiu a identidade nacional, sobre o que é ser português, sobre o que nos diferencia enquanto cidadãos e enquanto povo à escala universal", referiu Ferro Rodrigues, numa nota enviada à agência Lusa.
Na perspetiva do presidente da Assembleia da República, o ensaísta e filósofo "deixa um legado que vai muito além da vasta obra publicada, traduzindo-se na intervenção de toda uma vida nas áreas da educação, da cultura e da cidadania, justamente reconhecida por inúmeros prémios e condecorações".
Ferro Rodrigues destacou o ingresso de Eduardo Lourenço, "de forma tão simbólica", no Conselho de Estado, por indicação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016.
"Portugal perde hoje o Professor e filósofo, o crítico e ensaísta; a Lusofonia uma das suas maiores referências intelectuais. À sua Família e Amigos endereço, em meu nome e no da Assembleia da República, as mais sentidas condolências", lamentou Ferro Rodrigues.
Jorge Sampaio: "O grande humanista da contemporaneidade"
O ex-Presidente da República Jorge Sampaio recordou Eduardo Lourenço como "um grande humanista da contemporaneidade", numa mensagem enviada à agência Lusa, em reação à morte do ensaísta.
"É com grande emoção que recordo o pensador das profundidades do ser e da existência, o cultor insigne das letras, das artes e da cultura, um grande humanista da contemporaneidade, para quem ser português era indissociável do ser europeu e vice-versa", escreveu Jorge Sampaio, na sua mensagem de pesar.
"Eduardo Lourenço foi, é e será sempre uma das maiores referências da cultura portuguesa, quer pela sua extensa obra, quer pela [sua] inesgotável profundidade e originalidade", assegurou.
PS: "Voz maior da cultura e do pensamento português"
O PS recebeu com "profunda consternação" a notícia da morte do ensaísta, a quem chamou "uma voz maior da cultura e do pensamento português".
"É com profunda consternação e pesar que o Partido Socialista recebeu hoje a notícia da morte de Eduardo Lourenço, filósofo, ensaísta e uma voz maior da cultura e do pensamento português", lê-se na nota de pesar do Partido Socialista.
Ministra da Cultura: "Uma das mentes mais brilhantes deste país"
A ministra da Cultura, Graça Fonseca classificou Eduardo Lourenço como "uma das mentes mais brilhantes deste país".
"Não posso deixar de lamentar profundamente a morte de Eduardo Lourenço, uma das mentes mais brilhantes deste país", afirmou Graça Fonseca, numa mensagem enviada à agência Lusa.
A ministra acrescentou que "Eduardo Lourenço foi um pensador, arguto e sensível como poucos, e incansável combatente do caos dos dias".
Durão Barroso: "Um dos maiores portugueses"
"Morreu Eduardo Lourenço um dos maiores portugueses que conheci e de quem guardo tão excelentes recordações. Poucos terão feito tanto quanto ele para 'identificar' e definir Portugal e a sua cultura e o nosso particular modo de ser. Um grande intelectual, um notável Português!", escreveu Durão Barroso na sua conta na rede social Twitter.
Ana Gomes: "Curvo-me em tributo"
A candidata presidencial Ana Gomes lamentou a morte do pensador português, com uma mensagem no Twitter em que afirma curvar-se "em tributo" à sua obra.
"RIP! querido Eduardo. Curvo-me em tributo", escreveu a militante socialista e pré-candidata à Presidência da República.
"Que ironia, sabermos do seu desaparecimento no dia 1.º de Dezembro", escreveu Ana Gomes, numa alusão ao dia da Restauração da Independência, em 1640, e ao cospmopolitismo de Eduardo Lourenço e à universalidade da sua obra.
"Eduardo Lourendo, um português cosmopolita que, com infatigável lucidez, pensando em voz alta o país, ajudou a fazer e, portanto, a defender Portugal. Até de si próprio".
Elisa Ferreira: "Olhar lúcido e original" do pensador
A comissária europeia da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, destacou "o seu olhar lúcido, original e heteredoxo" que ajudou "a pensar Portugal".
"Eduardo Lourenço foi filósofo e ensaísta notável", escreveu Elisa Ferreira numa mensagem publicada na sua página na rede social Twitter.
"O seu olhar lúcido, original e heteredoxo ajudou-nos a pensar Portugal, a reflectir sobre nossa identidade e sobre nosso lugar na Europa. Deixa-nos um 'labirinto de saudade', mas também uma vasta reflexão sobre caminhos a trilhar", concluiu a comissária europeia da Coesão e Reformas.
Fundação Calouste Gulbenkian recorda ensaísta como "pensador de espírito livre e olhar profundo"
A Fundação Calouste Gulbenkian recordou o ensaísta como o "pensador de espírito livre e olhar profundo", que fez parte da sua administração durante dez anos.
Numa mensagem de "profundo pesar pela morte do professor Eduardo Lourenço, colaborador de longa data e administrador não-executivo da Fundação entre 2002 e 2012", a presidente do Conselho de Administração, Isabel Mota, destacou "a sua imensa cultura, alavancada por uma enorme sede de conhecimento e interesse pelo sentido das coisas, o seu amor pela História, o seu discreto sentido de humor".
"Pensador de espírito livre e olhar profundo, aberto e sempre diferente sobre as questões, o professor Eduardo Lourenço deu, ao longo dos anos, um importante contributo na forma de se pensar o destino português", frisou a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, citada pelo comunicado da instituição.
Recordando "um amigo", Isabel Mota destacou "a sua imensa cultura, alavancada por uma enorme sede de conhecimento e interesse pelo sentido das coisas, o seu amor pela História, o seu discreto sentido de humor, tão característico dos homens de grande sabedoria."
"Uma referência que há de permanecer em nós apesar de, neste momento, deixar a Fundação Calouste Gulbenkian de luto", concluiu.
Fundação EDP lamenta morte de "um dos grandes portugueses do nosso tempo"
"Português, europeu e cidadão do mundo, pensou criticamente, com filosófico poder de análise e poético dom de síntese, os grandes temas da nossa história (e também os seus esconderijos e enganos) e os grandes tópicos da nossa cultura (e sobretudo os seus tótemes e tabus)", lê-se numa nota enviada à Lusa pela Fundação EDP.
Para a fundação, que é mecenas da inventariação e estudo do acervo Eduardo Lourenço, "nada do que de importante ou significativo aconteceu lhe passou ao lado e tudo foi atravessado pela sabedoria da sua palavra, pela lucidez da sua inteligência e pela vastidão da sua cultura".
Catarina Martins agradece intervenção de "um pensador imprescindível"
A coordenadora do BE, Catarina Martins, enalteceu o pensamento e a intervenção do filósofo, considerando-o um "pensador imprescindível" que marcou presença quando era necessário "afirmar a solidariedade que une contra o ódio que divide".
À agência Lusa, Catarina Martins referiu que "Eduardo Lourenço viveu quase um século, no qual emprestou ao país o seu pensamento e a sua intervenção".
"Foi filósofo, ensaísta, professor e, sobretudo, um pensador imprescindível. E teve, ao longo da vida, uma inquietude que o levou a marcar presença em momentos determinantes", enalteceu.
A coordenadora bloquista recordou ainda que, "mesmo nestes últimos anos de vida, encontrou forças para marcar presença quando era imprescindível afirmar a solidariedade que une contra o ódio que divide".
"A sua morte é uma enorme perda, resta-me agradecer o que nos deixa", sublinhou.
Investigador Arnaldo Saraiva: "Portugal perdeu um sábio"
O professor jubilado e investigador científico e literário Arnaldo Saraiva referiu que, com a morte de Eduardo Lourenço, aos 97 anos, "Portugal perdeu um admirável companheiro, um sábio".
"Eduardo Lourenço foi um homem extremamente aberto ao mundo, aos homens, à vida. Um homem sereno, que se guiava pela razão, mas que era um sentimental, sensível às nossas fraquezas, humanas e portuguesas, e com grande capacidade de admiração do que era criador", destacou Arnaldo Saraiva, em declarações à agência Lusa.
António Guterres: "É uma grande referência cultural e moral da atualidade"
O antigo primeiro-ministro de Portugal (1995/2002) começou por referir que não esquece "a amizade com o professor Eduardo Lourenço e os seus gestos de generosa solidariedade".
"É uma grande referência cultural e moral do nosso tempo. Toda a vida pensou Portugal, como realidade em que as raízes antigas se projetam num futuro de exigência, de abertura e de diálogo. Foi um humanista e um europeísta empenhado e crítico, preocupado com os egoísmos e a indiferença quanto à liberdade", salientou o secretário-geral das Nações Unidas.
Na mesma mensagem, António Guterres observou ainda que Eduardo Lourenço "ensinou a importância da cidadania ativa com forte consciência da justiça social".
"O seu patriotismo orientado para o futuro valorizou sempre as prioridades para a Educação, a Ciência e a Cultura. Muito continuaremos a dever ao seu exemplo e à sua memória", acrescentou o antigo líder do PS entre 1992 e 2002.
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