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Correio da Manhã

Cultura
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O show tinha de continuar

Disse uma vez Elton John que o facto dos Queen não actuarem, ainda que sem Freddy Mercury, era como ter um Ferrari guardado na garagem. Um desperdício. Pois o Ferrari regressou à estrada! Como novo. Ou quase.
16 de Maio de 2005 às 00:00
Isso mesmo ficou provado anteontem à noite no teatro The Point, em Dublin, na Irlanda, na última apresentação da banda antes do concerto de Lisboa, a 2 de Julho no Estádio do Restelo.
Na companhia de Paul Rodgers, ex-vocalista dos Free e dos Bad Company, Brian May e Roger Taylor têm surpreendido nesta digressão europeia, que arrancou a 28 de Março em Londres e que tem lotado as salas por onde tem passado.
Não deixa de ser estranho ouvir outra voz que não a de Freddy Mercury cantar temas como ‘I Want It All’, ‘Under Pressure’ ou ‘It’s A Kind Of Magic’, mas o desempenho de Paul Rodgers está longe de querer imitar ou substituir o carismático cantor.
Esse, aliás, terá sido um dos cuidados da dupla May/Taylor que, mesmo em falta, parece sempre preocupada em querer mostrar que o lugar deixado vago por Mercury jamais será preenchido. Uma forma inteligente de salvaguardar Rodgers, fugir às comparações excessivas e evitar as críticas dos mais puristas.
Primeiro: ninguém esconde o facto, inabalável, de Rodgers ser um ‘outsider’ (a própria ‘tournée’ chama-se Queen Paul Rodgers); segundo: o protagonismo continua nas mãos dos ‘velhos’, especialmente de Brian May, que durante o espectáculo alterna o microfone com os solos de guitarra; terceiro: Mercury é lembrado um sem número de vezes.
Durante o concerto, Brian dedica-lhe ‘Love Of My Life’ (um monumental arrepio) e, no final, no grande momento da noite, o próprio Mercury é ‘chamado’ – através de uma gravação mostrada no ‘videowall’, a interpretar ‘Bohemian Rapsody’, que Rodgers chegara a dizer que não ficava bem na sua voz.
CONCERTO INTELIGENTE
E é precisamente pelo facto destas reservas ficarem subentendidas desde o início, que o espectáculo dos Queen acaba por se tornar especial. Não há ali outra pretensão de May e Taylor senão a de fazerem aquilo que sempre fizeram tão bem: tocar.
Numa sala completamente lotada, com capacidade para cerca de dez mil pessoas (situada nas docas da cidade e a fazer lembrar o nosso Pavilhão Atlântico), os Queen entraram ao som de ‘Tie Your Mother Down’ e, durante duas horas, fizeram desfilar clássicos como ‘Another One Bites The Dust’, ‘I Want To Break Free’, ‘Radio Gaga’, ‘Crazy Little Thing Called Love’, ‘The Show Must Go On’, ‘We Will Rock You’ e ‘We Are The Champions’.
O espectáculo que Portugal irá ver é o primeiro de estádio desta digressão mas em tudo será semelhante. Um concerto inteligente, ganho à partida (é certo), vigoroso, virtuoso, místico e, certamente, histórico. Para agradar a todos.
Foi já no final, numa das aproximações ao público, que Brian May recebeu de uma fã, aí na casa dos 40, umas cuecas. “Esta digressão tem sido espantosa”, disse, entre risos. “Se calhar é melhor continuar”, rematou. Cá o esperamos!
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