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PERSEGUIR O ORGASMO

“Há duas coisas que os homens nunca admitem: que são maus condutores e que são maus na cama.” É uma das "tiradas filosóficas" de "I Love My Penis", que é como quem diz "Eu Amo o Meu Pénis", comédia ligeira acabada de estrear no Casino Estoril e que animará as noites de sábado do Wonder Bar, pelo menos até ao fim do próximo mês de Outubro.

16 de setembro de 2003 às 00:00

Protagonizado por dois cúmplices habituais dos "Malucos do Riso" – Almeno Gonçalves e António Melo, também conhecidos pelas suas múltiplas participações em séries televisivas e telenovelas nacionais – o espectáculo põe em cena Pedro e Marcelo, dois homens que se encontram num bar e que, entre dois copos, falam, interminavelmente, de mulheres.

Daquilo de que gostam e do que não gostam no sexo oposto, da melhor forma de perseguir o orgasmo.

Alguns exemplos elucidativos do humor deste trabalho: Pedro é doido por "rabos". Como tal, tem ódio de morte às dietas e aos ginásios, que conspiram para que o género feminino perca o seu "aileron".

Já o Marcelo perde-se por uma boa axila. Mas cuidado: sem desodorisante e com uma "barba" de dois dias! Se não, nada feito.

Estão a ver o género? A peça é da autoria do brasileiro Carlos Eduardo Novaes, que se esforçou por reunir no mesmo texto todos os clichés possíveis sobre engates e sobre as relações entre os sexos, de forma a provocar o riso fácil no espectador.

E para que o resultado não se resumisse a um “braço-de-ferro” de piadas – a ver quem consegue arrancar mais gargalhadas à plateia – o autor esboçou até uma “intriga passional”: Marcelo teve uma noite de amor com a ex-mulher de Pedro e este vai querer a sua vingança...

ENTRETENIMENTO LEVE

“I Love My Penis” é um trabalho que entretém e que, embora não seja propriamente hilariante (nem na estreia, repleta de amigos e gente do meio artístico, a coisa deu azo a grandes histerias) pode justificar uma ida ao Casino ao fim da noite, para beber um copo e estar com os amigos.

Os actores apareceram no Estoril já bem rodados na comédia – até porque o espectáculo estreou no Porto e cumpriu por lá uma carreira considerável.

E dado o conteúdo pouco sofisticado do texto, nem Almeno Gonçalves nem António Melo se esforçaram muito por construir personagens elaboradas. Limitam-se a tentar fazer-nos rir, com o humor que têm à mão.

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