Francisco José Viegas, o escritor que o grande público conhece dos seus vários programas televisivos e que, na escrita, já experimentou de tudo – desde o romance ao teatro, passando pelas crónicas de viagem e até pelos guias – apresenta no dia 10, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, Lisboa, o seu mais recente livro de poesia.
‘Se me Comovesse o Amor’ – assim se chama a obra – será apresentada por Pedro Mexia e ao Gato Fedorento Ricardo Araújo Pereira caberá a tarefa de ler alguns dos poemas que a integram. Poemas que, no dizer do próprio autor, não falam de amor, mas que se oferecem como uma viagem por alguns dos lugares que visitou recentemente.
“São coisas muito novas e muito diferentes daquilo que tinha feito até agora: são poemas narrativos, que contam histórias e foram escritos nos mais diversos locais. Na Terra do Fogo, Brasil, Patagónia... Reflectem o meu olhar naquele momento sobre aquelas paisagens”, revela.
‘Se me Comovesse...’ é, também, e como todos os seus trabalhos de cariz poético, um livro que se construiu ao sabor da inspiração. Sem método. Sem disciplina. Nada que se assemelhe ao regime espartano a que o escritor se submete voluntariamente quando está a escrever romances. Aí, garante, levanta-se todos os dias às quatro da manhã, para trabalhar.
“Sou, tendencialmente, uma pessoa matinal. Detesto noitadas. Aliás, as noitadas cada vez me irritam mais... Gosto de escrever pela madrugada e pela manhã, sobretudo quando estou na fase final, a terminar os livros”, afirma.
A capacidade para se autodisciplinar é, de resto, fundamental para alguém que queira viver da escrita e Francisco José Viegas – que também é jornalista – sabe-o bem. Por isso, mesmo sem a pressão dos editores, é ele próprio quem se atribui prazos para terminar as suas histórias. E tem isto como certo: dê por onde der, entre três a quatro horas diárias têm de ser dedicadas à literatura.
E se Agatha Christie só conseguia escrever enquanto mastigava maçãs e Malcolm Lowry precisava de cerveja como de pão para a boca, o escritor diz que não se serve de truques nem de bengalas. Duas coisas o inspiram, apenas: a música e a fotografia. “Todos os meus romances têm uma banda sonora e foram escritos ao som de música – normalmente instrumental, música clássica, Brian Eno...”, conta. “A fotografia é-me indispensável. Fotografo todos os locais por onde passo e sirvo-me das fotos como bússolas, porque tenho mesmo de ver como as coisas são. A realidade é sempre mais espantosa do que a ficção.”
O resto, é sossego. “Preciso do silêncio. Não sei criar de outra forma.”
LIVRO DE CABECEIRA
Estou a ler ‘Deus não é Grande’, um ensaio de Christopher Hitchens, e ‘A Morte de Portugal’, do Miguel Real. Também tenho livros para adormecer...
PIOR VÍCIO E MELHOR VIRTUDE
O meu pior vício é fumar. A melhor virtude... talvez seja gostar dos outros.
MÚSICA PREFERIDA
A minha canção preferida é o clássico ‘Like a Rolling Stone’, do Bob Dylan.
DESTINO IDEAL DE FÉRIAS
Qualquer país da América Latina me inspira.
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