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Quase perfeito

Carlos Pimenta estreia esta noite, na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa, um dos melhores espectáculos da temporada. Falamos, é claro, de ‘Berenice’, a peça de Racine (1639-1699) que Vasco Graça Moura traduziu e a que um trio de actores acima de suspeita empresta todo o seu talento.

21 de abril de 2005 às 00:00

Anteontem, no ensaio geral (já com público), João Grosso, José Airosa e, sobretudo, a espantosa Beatriz Batarda (Globo de Ouro de 2004 para Melhor Actriz de Cinema) ofereceram aos presentes desempenhos tão rigorosos quanto comoventes.

Num cenário propositadamente opressivo (de João Mendes Ribeiro), e que sugere a forma como as razões de Estado se sobrepõem à liberdade do indivíduo, os três actores encarnam um estranho triângulo amoroso: Antíoco ama Berenice, mas esta ama Tito, que não pode casar-se com ela por ser uma estrangeira.

Ao contrário do que muitos encenadores tendem a fazer, Pimenta não pôs os actores a correr, a esbanjar energia, a gesticular e a gritar, na tentativa de tornar ‘mais vivo’ o clássico do século XVII. Nada disso.

Aqui, tudo vive das palavras e da sua perfeita elocução (trabalho de voz de Luís Madureira). As emoções chegam depois, num crescendo bem doseado e que tanto contribui para o prazer do espectador. Claro que, falando estritamente de acção, acontece muito pouco neste espectáculo. E, no entanto, o mundo inteiro está contido nas palavras de Jean Racine, maravilhosamente traduzidas por Vasco Graça Moura e em que se adequa perfeitamente o verso e as ideias, a forma e o conteúdo.

Um espectáculo de rigor e beleza (poder-se-á falar de perfeição em teatro?), para ver até 22 de Maio.

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