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Correio da Manhã

Cultura
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Quase tudo por Mick Jagger e Cª

Só mesmo os Rolling Stones para afastarem Helga Pereira da filha, Maria Antónia, nascida há apenas dois meses. Só mesmo eles para obrigarem Manuel Pereira e Marguerite Robetia a deslocarem-se de Paris ao Porto. E o que dizer do desejo de Luís Damião em rever a banda pela quarta vez na esperança de que, mesmo assim, não seja a última?
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Manuel Pereira e Marguerite Robetia vieram de França especialmente para ver a sua banda preferida
Manuel Pereira e Marguerite Robetia vieram de França especialmente para ver a sua banda preferida FOTO: José Rebelo
Ontem à tarde, o ambiente era de rock’n’roll junto ao Estádio do Dragão, no Porto, horas antes de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts subirem ao gigantesco palco ali montado. Os fãs foram chegando aos poucos: alguns envergando ‘t-shirts’ com a língua imagem de marca do grupo britânico, outros mais discretos. Mas todos com a mesma expectativa – que o concerto fosse o melhor de todos os que viram. Afinal, estavam ali para testemunhar a “energia dos músicos em palco”, para ouvir “boa música” e “cantar a plenos pulmões” as músicas da banda que actuava pela quarta vez em Portugal.
Muitos vieram recordar a juventude perdida, outros, mais jovens, não quiseram perder a oportunidade de ver ao vivo os ídolos dos progenitores, cuja música se habituaram a ouvir desde pequenos. “Comecei a ouvir os Stones influenciada pelos meus pais. Em minha casa foi sempre a banda de eleição”, contou Virgínia ao CM, acompanhada pelo namorado, Rui. “Os meus pais também vêm. Não podiam perder esta oportunidade”, acrescentou a jovem de 24 anos, que assistiu pela primeira vez a um concerto do grupo.
Já Luís Damião “não perde uma”, como confessou: “Vim da Ericeira de propósito para o concerto, apesar de já os ter visto duas vezes em Alvalade e uma em Coimbra. E hei-de ir a Barcelona, se lá actuarem, porque vale sempre a pena”, concluiu.
Vestindo roupas práticas e calçando ténis, os primeiros fãs chegaram ao recinto ainda sob um Sol abrasador. Alberto Salgado foi ali deixado pela mulher e pela filha, que escolheram ficar em casa “numa onda mais clássica”. Mas Helga Pereira, de 33 anos, sofria por ser a primeira vez que abandonava a filha de dois meses. “Vim de Vila Real, porque se trata da concretização de um sonho. Só mesmo os Rolling Stones para me fazerem sair de casa e conseguir estar horas sem a minha filha”, confessou ao CM a mãe, que viajou acompanhada da tia, Maria José, de 50 anos.
“Eu sabia que não podia morrer sem ver os Rolling Stones!” Entusiasmado e de bilhete na mão, Fernando Oliveira não cabia em si de contente. “Não consegui ir a Coimbra quando lá estiveram, mas sempre soube que ia ter outra oportunidade”, acrescentou entre risos.
AMBIENTE FANTÁSTICO
À hora prevista, 20h00, os Dandy Warhols entraram em palco para cumprir a missão de banda de aquecimento. Tal como em qualquer jogo de apresentação, aqueceram o público embora a indiferença fosse a nota dominante das cerca de 20 mil pessoas que já se encontravam no recinto. E só mesmo em ‘Bohemian Like You’, o maior êxito, é que sentiu alguma animação.
Num ambiente fantástico próprio de noite, os milhares distrairam-se com uma avioneta que sobrevoou o estádio mostrando uma faixa com a frase ‘Mick, got the balls to come to Twins?’ (‘Mick, tens coragem para vir ao Twins?’) assinada Batata. Cá em baixo, apesar dos preços altos, o ‘merchandise’ vendia-se bem.
A VENDER... MAIS BARATO
Não se pode dizer que Jorge Rodrigues estivesse muito satisfeito na função de vendedor... de bilhetes. Mas prometeu a um familiar, que entretanto marcou as férias para a altura do concerto, que conseguiria vendê-los e reaver o dinheiro. O Sol não ajudava à tarefa, mas o preço dos ingressos facilitou o ‘negócio’: em meia hora o dever estava cumprido e o dinheiro na mão. Os quatro bilhetes para a bancada superior tinham sido comprados a 71 euros cada, mas Jorge vendeu-os a 45, preço ainda mais barato do que uma entrada para o relvado B, a 56 euros. Caso não conseguisse vender os bilhetes, Jorge já tinha decidido: “Ia eu. Lá teria de ser!”...
COMIDA SÓ COM BILHETE
Ao contrário do que é costume nos concertos em estádios de futebol, as barraquinhas de ‘comes e bebes’ só estavam acessíveis a quem possuísse bilhete, pois estavam dentro do perímetro de segurança. Aliás, segurança não faltou no Dragão. O perímetro constava de várias entradas guardadas por agentes da autoridade, presentes em grande número para evitar qualquer problema de maior. E não facilitaram a vida a quem deixou carros mal estacionados: ao início da tarde vários automóveis já tinham sido bloqueados pela PSP.
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