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Rainha do fado castiço morre aos 93 anos

Argentina Santos só começou a cantar aos 24 anos mas tornou-se uma das maiores embaixadoras do fado e fez carreira internacional.

19 de novembro de 2019 às 09:54

O fado diz adeus a uma das suas maiores referências. Maria Argentina Pinto dos Santos, que ficou conhecida como Argentina Santos, morreu ontem, aos 93 anos, em Lisboa, cidade que a viu nascer a 6 de fevereiro de 1926.

Natural do bairro da Mouraria, começou a cantar tarde, ao contrário da maioria dos fadistas da sua geração: só aos 24 anos, no restaurante A Parreirinha de Alfama - onde trabalhava como cozinheira e do qual se tornou proprietária - é que Argentina Santos descobriu, "por mero acaso", como revelou, que o seu estilo forte e castiço cativava o público.

Os primeiros anos foram marcados por várias pausas - por culpa dos dois primeiros maridos, que não gostavam que cantasse. A cozinha, que disse preferir à música, foi o seu refúgio. Mas na década de 1950 o percurso musical de Argentina ganhou fulgor e levou-a ao reconhecimento internacional. Atuou no Brasil, França, Reino Unido e Itália, e outros países - subiu ao palco do Queen Elizabeth Hall, Londres, do La Cité de la Musique, Paris, da Catedral de Marselha e do Coliseu de Lisboa.

Ao seu nome ficam associados fados como ‘Chico da Mouraria’, ‘A Minha Pronúncia’, ‘As Duas Santas’, ‘Juras’, ‘Chafariz d'El Rei’, ‘Lisboa, Casta Princesa’, ‘Passeio Fadista’, ‘Praga’ ou ‘História de Uma Velhinha’. Em 2013, foi feita comendadeira da Ordem do Infante D. Henrique. Despediu-se dos palcos em 2015. Hoje, às 15h00, é rezada missa na Basílica da Estrela, Lisboa. Depois, o funeral sai para o cemitério de Carnaxide.

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