Muita pirotecnia, mais fogo e 'industrial metal' à mistura. Foram estes os recursos que os alemães Rammstein utilizaram para fazer vibrar toda uma plateia que se reuniu frente ao Palco Mundo para ouvir os cabeças-de-cartaz do quinto e último dia da edição de 2010 do Rock in Rio Lisboa.
Muito antes da parte dos alemães, subiram ao palco os Motörhead. Liderada pelo baixista e vocalista Lemmy Kilmister, a banda britânica mostrou que a idade ainda não pesa, estando prontos para continuar a fazer ouvir, e de forma bem audível, os seus temas, alguns dos quais datam já dos finais da década de 70, como é o caso de 'Metropolis'.
Apesar de um problema ao nível do som logo no primeiro tema, a banda não se mostrou desanimada, pediu desculpas pelo sucedido e voltou à carga, ainda com mais energia.
'Acham que o volume está elevado o suficiente?', brincou Phil Campbell. A resposta da plateia ao guitarrista não se fez esperar e um vibrante 'não' ecoou frente ao grupo.
Campbell não se fez rogado e questionou se deveriam aumentar o som u'm pouco ou muito'. Mais do que esperado, um'muuuuito' foi gritado em uníssono frente ao Palco Mundo.
O trio tornou à carga com passagem pelos 35 anos de reportório, terminando a noite com dois temas imortais: 'Ace of Spades' e 'Overkill'.
A plateia que começava a aquecer, recebeu então os Megadeth. A banda de Dave Mustaine voltou a pisar os palcos do Rock in Rio, 19 anos depois de ter participado no evento, no Rio de Janeiro em 1991, perante 140 mil fãs.
Desta vez, a plateia era muito mais reduzida mas, ainda assim, o vocalista, acompanhado por David Ellefson, Chris Broderick e Shawn Drover, suou até ao último instante, numa actuação contada ao minuto, pelo que se podia ver no ecrã gigante, que esporadicamente, apresentava números vermelhos em contagem decrescente, num prenúncio do fim. O próprio Mustaine admitiria ao público esse factor: 'Desculpem mas temos pouco tempo para tocar'.
Apesar disso houve tempo suficiente para ouvir vários clássicos, como 'Symphony of Destruction' ou 'Peace Sells', este último a merecer acompanhamento de muitos elementos da audiência. A banda norte-americana trazia na bagagem o novo álbum 'Endgame', mas deste apenas apresentou o tema 'Head Crusher'.
Um espectáculo com poucas pausas, menos ainda as vezes em que foi dirigida palavra à plateia, provavelmente para não gastar mais do precioso tempo de que dispunham.
'Vocês foram fantásticos, nós fomos Megadeth', foi a frase que marcou a despedida dos milhares que começavam já a olhar os relógios à espera do ponto alto da noite: o concerto dos Rammstein.
Quem estava quase a desesperar por esse momento, teve ainda que se conter mais, pois entre o final dos Megadeth (23h15) e o início da actuação dos alemães passou aproximadamente uma hora. Hora esta que se justificaria mais tarde, ao ver-se que o grupo trouxera toda a sua equipa técnica com o objectivo de dar não apenas música, mas sim um verdadeiro espectáculo a todos os níveis.
Till Lindemann e companhia subiram ao palco quando passavam 10 minutos da meia-noite, rodeados por um ambiente de fumo para apresentação de 'Liebe ist Fur Alle Da', o seu sexto álbum de originais, alguns temas do qual chegaram a ser tocados há alguns meses quando os germânicos esgotaram o Pavilhão Atlântico.
A pirotecnia começou a ser utilizada logo nos temas iniciais, sendo que o primeiro episódio em que existe uma maior ligação a este adereço é ao som de 'Waidmanns Heil', onde é feita uma saudação aos caçadores, com Till a desfilar de arma ao ombro e no final a disparar para o tecto do palco, que explode e faz cair uma chuva de faíscas.
Ao longo do concerto os 'números' foram subindo de grau de dificuldade e, consecutivamente, de perigosidade, com os elementos do grupo a cuspir fogo da boca ou a sair dos seus fatos.
Um dos momentos mais arriscados chegou com 'Benzin'. O vocalista simulou uma discussão com um 'roadie' da banda e, sendo fiel à letra da canção ('Se queres separar-te de algo, precisas queimá-lo'), pegou num lança-chamas e fez as roupas deste arderem.
Menos perigoso o adereço para acompanhar 'Pussy': um canhão gigante utilizado para presentear toda a plateia com uma chuva de espuma e confetis brancos. Se os fãs já se encontravam em euforia, entraram em delírio absoluto, entoando a letra a uma voz com os alemães, naquela que poderia ter sido a última canção da noite, não tivesse a banda regressado para um encore, não apenas de música mas também de adereços. 'Sonne', 'Haifisch' e 'Ich Will' foram os temas escolhidos para fechar o Rock in Rio Lisboa.
Destaque ainda para o momento em que o teclista Christian 'Flake' Lorenz subiu para um barco de borracha durante a interpretação de 'Haifisch', e foi transportado desde o palco até ao meio da multidão, levado pelas milhares de mãos dos que assistiam, com um dos fãs a arriscar-se ao subir para o barco, juntando-se ao músico, que ficou um pouco atordoado por não esperar companhia.
O grupo despediu-se agradecendo em três idiomas diferentes: 'Dank schön', 'Thank you very much' e um 'muito obrigado' bem articulado.
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