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Correio da Manhã

Cultura
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Ray Charles vence gala dos Grammy

O último disco de Ray Charles, "Genius Loves Company", um conjunto de duetos com outros artistas, foi o 'rei' da 47ª gala dos Prémios Grammy - os Óscares da Música. Com 10 nomeações, o disco foi distinguido com 8 galardões, 5 dos quais vão ser atribuídos a título póstumo ao grande senhor da 'soul', desaparecido em Junho de 2004, aos 73 anos de idade.
14 de Fevereiro de 2005 às 08:19
A morte impediu Ray Charles de acompanhar o melhor momento da sua longa carreira. "Genius Loves Company", apesar de quase não 'passar' na rádio, já vendeu 2,1 milhões de cópias desde a sua edição em Setembro último (o mais vendido disco do músico) e conquistou ontem, em Los Angeles, os prémios Grammy mais cobiçados, incluindo Álbum do Ano (o primeiro galardão do género ganho por Ray Charles) e Single do Ano (para o tema "Here We Go Again", com Norah Jones).
Dos 8 Grammy conquistados em 10 nomeações, 5 vão directamente - a título póstumo - para Ray Charles, que aumenta para 17 o total de prémios Grammy ganhos ao longo da sua carreira, ocupando agora o oitavo lugar na lista dos artistas com maior número de Grammy conquistados, em situação de igualdade com Alison Krauss e com os U2, que ontem ganharam 3 Grammys (Melhor Canção Rock; Melhor Vídeo Clip e Melhor Interpretação Rock, para o tema "Vertigo"), tantos quantas as categorias para que estavam nomeados. O guitarrista da banda, Edge, dedicou um dos Grammy à sua filha Sian, a quem terá sido diagnosticada uma leucemia. Já Usher, que também ganhou 3 Grammy, tinha 8 nomeações.
Desde 1982 que nenhum Grammy era entregue a título póstumo. Nesse ano, o Grammy para Melhor Álbum distingiu "Double Fantasy", de John Lennon. O produtor Phil Ramone, que trabalhou no "Genius Loves Company", comentou que os prémios Grammy com que o disco foi ontem distinguido prolongam em meio século a carreira de Ray Charles.
O álbum de Ray Charles era um dos favoritos para a gala dos Grammy, envolto na nostalgia da morte recente do artista e aproveitando a 'maré' de entusiasmo que o filme biográfico "Ray" está a gerar para a edição dos Óscares deste ano.
Com dez nomeações à partida, Ray Charles apenas perdeu duas. Perdeu na categoria Colaboração Pop, para a qual estava nomeado com o dueto com Elton John "Sorry Seems to be the Hardest Word", e perdeu na tradicional 'corrida' para o Grammy Performance Vocal R & B, onde a colaboração com B. B. King em "Sinner's Prayer" perdeu para "Musicology", de Prince.
Não houve surpresa na glória póstuma de Ray Charles na gala dos Grammy, mas houve desfechos inesperados. O 'rapper' Kanye West, que se apresentou à cerimónia com 10 nomeações e aclamado pela crítica pelo álbum "The College Dropout", conquistou apenas 3 prémios (incluindo Melhor Álbum Rap e Melhor Canção Rap, para "Jesus") . Ele é um dos grandes derrotados da noite. O apetecido prémio Revelação do Ano, para o qual West também estava nomeado, foi atribuído ao grupo Maroon 5.
O 'cantautor' John Mayer foi um dos heróis da gala dos Grammy, ao conquistar o distintivo prémio para Melhor Canção ("Daughters"). Alicia Keys ganhou 4 prémios Grammy, em oito para que estava nomeada. Britney Spears 'levou ontem para casa' o primeiro Grammy da sua carreira, Melhor Gravação de Dança, para "Toxic", tema do seu álbum "In the Zone" (2003), batendo nesta categoria nomes conhecidos como Chemical Brothers, Kylie Minogue e Scissor Sisters. Mas se Britney conquistou o seu primeiro Grammy aos 23 anos de idade, já Rod Stewart teve de esperar até aos 60 anos.
O veterano britânico ganhou ontem a seu primeiro Grammy, após 13 nomeações ao longo dos anos. Stewart foi distinguido pelo álbum de 'standards' "Stardust... The Great American Songbook: Volume III". Este disco relançou a carreira de Rod Stewart e chegou a primeiro lugar nas tabelas de vendas nos EUA (o primeiro 'top' do artista em 25 anos), com 1,3 milhões de cópias vendidas. Diz-se que o Volume IV já está a caminho...
A título de curiosidade refira-se ainda que o ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, conquistou ontem o seu segundo Grammy. O prémio foi ganho na categoria de Álbum Recitado, distinguindo a autobiografia "A Minha Vida". Clinton impôs-se ao comediante Steve Martin e repetiu o sucesso do ano passado, quando ganhara na categoria Melhor Álbum Recitado para Crianças, pela participação em "Pedro e o Lobo". Já em 1996, a sua mulher Hillary Clinton tinha recebido um Grammy pela leitura do seu livro "It Takes a Village".
Os Led Zepelin foram distinguidos com um Grammy de carreira.
A gala também foi um espectáculo de palco e isso suscitou alguma expectativa, até porque a cerimónia foi transmitida ao vivo pela CBS, a mesma televisão que transmitiu na final da SuperBowl do ano passado a já famosa interpretação de Janet Jackson, que terminou com um seio a descoberto. Claro que os responsáveis pela emissão tomaram as devidas precauções, transmitindo o espectáculo com um intervalo de 5 a 10 segundos entre a realidade e a emissão. Mas as precauções não foram necessárias.
O momento mais arrojado terá sido protagonizado por Sheryl Crow, mais propriamente pelo reduzido vestido amarelo que levou a palco. De resto, nada houve que censurar. O trio punk Green Day optou por não soletrar na actuação ao vivo uma pasasagem obscena incluída no seu tema politicamente carregado "American Idiot".
Enquanto espectáculo de palco, a 47ª Gala dos Grammy, que decorreu ontem à noite, em Los Angeles, EUA, proporcionou dois momentos de grande emoção. O primeiro foi o dueto com Joss Stone e Melissa Etheridge, tendo esta última surgido careca em palco, dando assim o seu testemunho pelo combate ao cancro. As duas cantaram "Piece of My Heart", de Janis Joplin, cujo irmão e irmã estavam na plateia.
O momento grande da noite ocorreu quando diversos artistas se juntaram em palco para tocar e cantar "Across the Universe", dos Beatles, em homenagem às vítimas do tsunami. Juntaram-se em palco para esse momento Bono (U2), Tim McGraw, Steven Tyler (Aerosmith), Alicia Keys, Brian Wilson (Beach Boys), Stevie Wonder, todos os membros dos Velvet Revolver, entre outros artistas.
O espectáculo em palco teve ainda na 'ementa' um dueto com Jennifer Lopez e o seu marido Marc Anthony, os U2, Gwen Stefani & Eve, Black Eyed Peas, Franz Ferdinand, Alicia Keys, Los Lonely Boys, Usher com James Brown e até os 'velhinhos' Lynyrd Skynyrd, entre outros. Enfim, um regalo para os sentidos...
ALGUNS DOS PRINCIPAIS PRÉMIOS
Melhor Álbum - "Genius Loves Company" (Ray Charles e outros)
Melhor Single - "Here We Go Again" (Ray Charles e Norah Jones)
Melhor Canção - "Daughters" (John Mayer)
Prémio Revelação - Maroon 5
Melhor Interpretação Feminina Pop - "Sunrise" (Norah Jones)
Melhor Interpretação Masculina Pop - "Daughters" (John Mayer)
Melhor Álbum Pop - "Genius Loves Company" (Ray Charles e outros)
Melhor Interpretação Rock (solo) - "Code of Silence" (Bruce Springsteen)
Melhor Interpretação Rock (grupo) - "Vertigo" (U2)
Melhor Álbum Rock - "American Idiot" (Green Day)
Melhor Interpretação Feminina R & B - "If I Ain't Got You" (Alicia Keys)
Melhor Interpretação Masculina R & B - "Call my Name" (Prince)
Melhor Álbum R & B - "The Diary of Alicia Keys" (Alicia Keys)
Melhor Álbum Rap - "The College Dropout" (Kanye West)
Melhor Álbum de World Music Tradicional - "Raise Your Spirit Higher" (Ladysmith Black Mambazo)
Melhor Álbum de World Music Contemporânea - "Egypt" (Youssou N'Dour)
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