Apresentam-se ainda vários desenhos, cadernos de autor, maquetes e outros materiais.
Um retábulo com mais de dez metros de altura e 15 pinturas primitivas, entre as quais os Painéis de São Vicente que Almada Negreiros defendeu terem como destino o Mosteiro da Batalha, estão em exposição no monumento partir de domingo.
A tese avançada pelo artista há 70 anos é agora concretizada no local imaginado, a Capela do Fundador, na sequência do estudo feito pelos investigadores Simão Palmeirim e Pedro Freitas.
Na Batalha, apresentam-se ainda vários desenhos, cadernos de autor, maquetes e outros materiais de Almada Negreiros sobre o tema, grande parte deles inéditos.
Com recurso a réplicas em tamanho real das pinturas, ganha vida a proposta idealizada por José de Almada Negreiros (1893-1970) numa proposta que Simão Palmeirim, comissário da exposição, admite ser "muitíssimo arrojada".
"Ao longo de várias décadas, Almada Negreiros vai desenvolvendo essa teoria e culmina com a sua proposta de destino: a Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha. É uma proposta radical e polémica", reconhece o investigador.
O exercício proposto com a exposição não é demonstrar a validade da ideia, esclarece o comissário: "Ele apaixona-se por um conjunto de pinturas portuguesas do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e faz sobre elas estudos geométricos complexíssimos".
Na Batalha quer-se colocar em evidência a análise geométrica da obra plástica do artista, a que Simão Palmeirim e Pedro Freitas se têm dedicado e divulgado nos últimos anos.
A intenção, sublinha, "não é afirmar algo ou o quer que seja sobre os painéis, que já são polémicos o suficiente" mas, antes, "celebrar a obra de um modernista, torná-la mais acessível e visível", promovendo, em simultâneo, a reflexão sobre uma faceta pouco conhecida do artista.
"O que é que leva um modernista a elaborar tal tese? Porque é que ele inclui outros desenhos? O que o leva a tudo isto?", questionam.
O diretor do Mosteiro da Batalha, Joaquim Ruivo, realça o cruzamento na exposição entre o trabalho de "um modernista" e "um espaço que é obra-prima do gótico europeu".
"É aliciante sob todos os pontos de vista", afirma Joaquim Ruivo, lembrando que a combinação "remete para a intemporalidade da arte e do pensamento artístico".
Para o responsável, a exposição confirma que "esta geração de modernistas, da qual [se poderá] dizer que Almada foi o porta-voz, sendo uma geração de rutura com os valores estéticos, artísticos e sociais mais conservadores, não rompe com o passado. Integra-o e valoriza-o".
Além disso, no retábulo imaginado para a Capela do Fundador será possível "apreciar os Painéis de S. Vicente - o 'Santo Graal' da pintura portuguesa - e mais nove pinturas primitivas em tamanho natural", destaca o diretor, "além de obras inéditas" que ajudam a "compreender melhor a obra e pensamento de Almada Negreiros".
A exposição "Almada Negreiros e o Mosteiro da Batalha - quinze pinturas primitivas num retábulo imaginado" na Capela do Fundador articula com "Almada Negreiros e os Painéis - um retábulo imaginado para o Mosteiro da Batalha", patente até 10 de janeiro na Sala do Teto Pintado do MNAA, em Lisboa.
No início de 2021 o projeto será complementado com a edição de um estudo sobre o tema, desenvolvido pelos investigadores Simão Palmeirim e Pedro Freitas.
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