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Rui Veloso está de volta num cenário de espelhos

A preparação do regresso, esta noite, ao Coliseu do Porto, fez Rui Veloso trabalhar intensamente nas últimas cinco semanas. E até em cima da hora. Ensaiou ainda ontem à tarde nos estúdios da sua casa em Vale de Lobos, perto de Sintra, e só de noite viajou para a cidade Invicta, apostado num grande espectáculo ou não houvesse o estímulo antecipado de duas grandes salas esgotadas.

03 de novembro de 2006 às 00:00

O músico, reticente a inovações e surpresas, que às vezes podem correr mal, guardou, porém, segredo absoluto à volta do alinhamento que deverá incluir 25 temas num espectáculo com cerca de duas horas e um quarto de duração, fora o intervalo que haverá nos concertos do Coliseu do Porto para um um ligeiro ajuste no cenário. Interpelado sobre os temas que apresentará em palco nesta série de ‘Os Vês pelos Bês’, Rui Veloso recusou dar detalhes do programa porque estragaria o efeito de surpresa junto do público.

Seguro é que numa evocação, sublinhada como festa dos seus 25 anos de carreira, não faltarão os temas que mais se associam ao seu êxito e aludem à cidade do Porto e arredores. Por exemplo , no ensaio a que o CM assistiu, trabalhou-se bem ‘O Trolha da Areosa’ do álbum ‘Mingos e os Samurais’, de 1990, mas as viagens devem ir mais longe ou não continuasse a estar em palco o baixista Zé Nabo, companheiro desde a Banda Sonora inicial que se impôs com ‘Chico Fininho’ e ‘Rapariguinha do Shopping’.

O que muda de certeza em relação aos concertos dos últimos anos é que Rui Veloso abandona a guitarra acústica para atacar com guitarra eléctrica. Com promessa feita pelo próprio de tocar em vários estilos, começando talvez com um tema de blues, se não mudar de ideias, como aconteceu ao longo dos ensaios, sempre a meter e tirar músicas do alinhamento.

PROGRAMA PARA RTP

Os concertos, tanto no Porto, como em Lisboa, serão gravados sob a direcção do realizador Nuno Campilho e de Ivan Dias, com hipóteses de se produzir um novo DVD. O projecto não está, porém, confirmado. Certo é que a RTP fará um programa a partir de gravações do concerto da próxima quinta-feira, dia 10, no Pavilhão Atlântico em Lisboa.

Houve, de qualquer modo, cuidado especial na preparação do cenário, uma espécie de caixa negra com espelhos que poderão ser postos em diversas posições. No Porto estarão mais no fundo do palco e em Lisboa mais de lado, devido à existência de público em zonas laterais. porventura sem completa visão do fundo do palco.

Os últimos pormenores só serão acertados esta tarde na contagem decrescente para o concerto, no palco do Coliseu do Porto. Para Rui Veloso, é uma grande aposta este regresso à cidade que o viu crescer e onde chegou bebé de três meses. Com o seu quê de gratidão, ele teria gostado que as gravações para o programa no canal de TV do Estado se fizessem no Porto, o que se revelou impossível, devido a problemas logísticos de carro de exteriores.

Quanto ao que se ouvirá nestes concertos, e apesar do segredo sobre o alinhamento, ‘Transparente’ e ‘Inesperadamente’ serão os contributos das convidadas Mariza e Luz Casal, enquanto os temas mais ventilados para Rui Veloso são ‘Não Há Estrelas no Céu’, ‘Porto Côvo’, ‘Cavaleiro Andante’, ‘Porto Sentido’, ‘Jura’, ‘Todo o Tempo do Mundo’, ‘Fado do Ladrão Enamorado’, ‘Bairro do Oriente’ e ‘Paixão’.

Rui Manuel Gaudêncio Veloso nasceu em Lisboa a 20 de Julho de 1957, mas viveu desde bebé no Porto, onde se iniciou na harmónica aos seis anos e começou a tocar guitarra aos 15. Apaixonado de blues, formou o seu primeiro grupo, a Magara Blues, com Mano Zé e Manfred Minneman, mas foi a amizade com Carlos Tê que produziu ‘Chico Fininho’ e um novo ‘Ar de Rock’ na música portuguesa que dura há mais de 25 anos e já soma doze álbuns. Sempre com um bom som.

Azeitonas no Porto e Jorge Vadio em Lisboa são as diferenças nos grupos de convidados para concertos de hoje e amanhã no Norte e dia 10 no Pavilhão Atlântico. Mariza, a espanhola Luz Casal e os outros quatro dos Rio Grande, João Gil, Jorge Palma, Tim e Vitorino estarão nos três concertos para recordar colaborações artísticas. Para Mariza, Rui fez a música de ‘Transparente’ que está no alinhamento dos concertos. Há ainda os nove músicos com quem trabalha: o guitarrista Zé Nabo, que vem desde a Banda Sonora, André Rocha (percussão), Carlos Miguel (bateria), Dora Fidalgo e Paulo Ramos (coro), Alexandre Dinis (teclas), Miguel Mascarenhas (guitarra) e Bruno Duro (teclas e guitarra).

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